O segundo bloco do debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso, realizado na manhã desta terça-feira (18) pelo Portal Primeira Página e pela Rádio Centro América 99.1 FM, foi marcado por troca de acusações entre o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição, e o senador Wellington Fagundes (PL).
Confrontado sobre infraestrutura e rodovias no primeiro bloco por Wellington e pela médica Natasha Slhessarenko (PSD), Pivetta elevou o tom ao devolver a pergunta ao senador. O governador associou Wellington ao governo Silval Barbosa e à indicação do ex-secretário de Infraestrutura Cinésio Nunes de Oliveira, atual chefe de gabinete do senador.
“O senhor foi parceiro do Silval na Secretaria de Obras, com o seu chefe de gabinete atual, Cinésio, e foi delatado pelo Silval por corrupção. O senhor quer voltar à cena do crime, agora, pedindo para o povo votar para ser governador de Mato Grosso?”, disparou Pivetta.
Na sequência, Pivetta ainda resgatou a passagem de Wellington pelo DNIT e afirmou que o senador foi “expulso” do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, além de acusá-lo de ter interesses em rodovias federais para obter ganhos. A fala irritou Wellington, que pediu direito de resposta à direção da emissora.
Defesa de aliado contraria decisão judicial: Wellington rebateu e saiu em defesa de Cinésio. “Eu posso garantir, eu conheço o Cinésio. Ele não tem nenhum processo que ele foi julgado e condenado”, afirmou.
A declaração, no entanto, vai na contramão de uma decisão da Vara Especializada em Ações Coletivas. Em sentença proferida pela juíza Célia Regina Vidotti, Cinésio Nunes de Oliveira foi condenado por improbidade administrativa.
O processo trata da Concorrência Pública nº 005/2011/SETPU e do contrato firmado com a Construtora Rio Tocantins para implantação e pavimentação de 94,61 km da MT-413, entre o entroncamento da BR-158, no Portal da Amazônia, e Santa Terezinha.
Segundo a sentença, há “robusto conjunto probatório” de fraude na licitação e na execução do contrato, assinado por Cinésio em 2013, quando comandava a então Setpu. Durante a obra, a Controladoria-Geral do Estado (CGE) apontou necessidade de revisão da planilha de preços. Uma nova análise identificou dano ao erário com serviços de escavação e fornecimento de material betuminoso, com superfaturamento de R$ 3,445 milhões.
Para a magistrada, Cinésio tinha conhecimento das irregularidades apontadas pela CGE e pelo Tribunal de Contas, mas deixou de tomar providências, permitindo a continuidade do superfaturamento. A decisão relacionou os valores excedentes ao pagamento de propina no esquema revelado por Silval Barbosa em delação premiada.
Cinésio, o empresário Rossine Aires Guimarães e a Construtora Rio Tocantins foram condenados solidariamente ao ressarcimento do dano e ao pagamento de multa civil no mesmo valor, totalizando aproximadamente R$ 6,89 milhões, além de juros e correção monetária.
A defesa do ex-secretário apresentou embargos de declaração alegando que a condenação seria genérica e sem comprovação de dolo. O recurso foi rejeitado. A juíza reiterou que a conduta de Cinésio foi analisada expressamente na sentença.
Outros embates: Mediado pelo jornalista Thiago Terciotty, com transmissão no canal do Youtube do Primeira Página, o debate teve perguntas de tema livre com 2min30 para cada candidato.
No bloco, Wellington questionou Natasha sobre violência contra a mulher. Ela prometeu ampliar a rede de delegacias da mulher e disse que não tolerará agressores em uma eventual gestão.
Natasha também questionou Pivetta sobre o déficit de médicos especialistas e a gestão dos grandes hospitais. O governador defendeu as ações da gestão Mauro Mendes-Pivetta e alfinetou Wellington por não ter se mobilizado, em quase quatro décadas de mandato, para a conclusão do Hospital Central de Alta Complexidade.
Wellington, por sua vez, afirmou que Pivetta fez parte da gestão Pedro Taques e agora renegaria o ex-aliado, e classificou as acusações como “ataques vazios”.
A emissora convidou para o debate apenas três dos seis candidatos ao Palácio Paiaguás, seguindo critérios de representatividade nas pesquisas.