O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) determinou o encaminhamento da queixa-crime apresentada pela prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), contra o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), para a Vara Especializada de Violência de Gênero da comarca. A manifestação foi registrada no dia 17 de abril de 2026.
A medida busca garantir que o caso seja analisado por um juízo especializado, diante do entendimento de que a suposta ofensa possui conotação de gênero. A prefeita acusa o vereador da prática de injúria majorada, quando a ofensa é cometida contra a mulher em razão de sua condição feminina.
O episódio ocorreu em 18 de março deste ano, durante sessão plenária da Câmara Municipal. Na ocasião, Wanderley Cerqueira dirigiu-se ao vereador Bruno Rios (PL) com a frase: “Quer leitear a prefeita? leiteia de outra forma”. A expressão, segundo o Ministério Público, possui conotação sexualizada e ofensiva.
De acordo com o promotor de Justiça José Jonas Sguarezi Junior, a fala “é capaz de atingir a honra e a imagem da prefeita em razão de sua condição de mulher, mediante referência baseada em estereótipos de gênero”. O órgão também destacou que a conduta apresenta “nítido viés misógino”.
Na manifestação, o MPMT defendeu que o processo deve tramitar na Vara de Violência de Gênero, por se tratar de um caso que envolve possível violência de natureza simbólica e moral contra a mulher. “Diante disso, requer-se a declinação da competência deste Juízo em favor do Juízo da Vara da Violência de Gênero desta Comarca para processar e julgar o presente feito”, diz trecho do documento.
A queixa-crime foi protocolada pela própria prefeita, que pede a responsabilização do parlamentar. Caso a denúncia seja aceita e haja condenação, a pena prevista para injúria majorada varia de 1 a 3 anos de detenção, podendo haver ainda desdobramentos na esfera político-administrativa, como inelegibilidade ou eventual cassação de mandato.
O caso representa mais um capítulo da crise institucional entre o Executivo e o Legislativo municipal de Várzea Grande. Desde o ano passado, a prefeita e o presidente da Câmara têm trocado acusações públicas, acirrando o embate político na cidade.
Agora, caberá ao Judiciário decidir sobre o recebimento da queixa e a manutenção do processo na vara especializada.