O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (Podemos), e o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), reuniram-se na noite desta quinta-feira (16) com moradores dos residenciais Villa das Minas e Lavras do Sutil I e II para discutir a ordem de despejo que atinge cerca de 600 famílias.
A medida judicial, determinada pelo juiz Márcio Aparecido Guedes, da 1ª Vara Cível de Cuiabá, autoriza a imissão na posse em favor da empresa Trunk Gestão Empresarial, que arrematou a massa falida do empreendimento em leilão. A decisão estabelece um prazo de cinco dias para a desocupação, prevendo o uso de força policial e arrombamento em caso de resistência, além de suspender o processo de regularização fundiária conduzido pela prefeitura sob pena de multa diária.
Durante a visita, o deputado Max Russi classificou a situação como socialmente grave e defendeu que os moradores não podem ser tratados como invasores, uma vez que muitos adquiriram as unidades de boa-fé há cerca de 30 anos, antes da falência da construtora original. “Essas famílias compraram há cerca de 30 anos, pagaram pelos imóveis. Não são invasores”, enfatizou o deputado.
O parlamentar informou que busca uma saída negociada e já iniciou tratativas com o corregedor do Tribunal de Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote. Uma reunião de conciliação está agendada para o próximo dia 29 com o desembargador Mário Roberto Kono, visando sensibilizar o Judiciário sobre o impacto humano da retirada em massa, que inclui idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. “Decisão a gente cumpre, mas acreditamos na Justiça e buscamos uma solução”, declarou.
O prefeito Abilio Brunini também manifestou preocupação com o possível desalojamento das famílias e sugeriu como alternativa um modelo de regularização onerosa, onde o município compraria a área e parcelaria os custos aos residentes.
No entanto, Abilio ressaltou a complexidade do caso e evitou criar expectativas irreais devido à valorização imobiliária da região. Paralelamente, a defesa dos moradores tenta medidas para retardar o cumprimento da ordem, enquanto o Ministério Público mantém posicionamento favorável à empresa arrematante, alegando a necessidade de preservar o direito de propriedade e evitar conflitos registrais.