
A crise no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Mato Grosso ganhou novos contornos nesta terça-feira (15), após denúncia feita pelo deputado estadual Lúdio Cabral durante sessão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Segundo ele, a redução no número de equipes em operação compromete diretamente o atendimento à população.
“Nesse exato momento, de 15 de abril, pouco mais de meio-dia, das 12 equipes que atendem Cuiabá e várias regiões metropolitanas, 7 equipes não estão funcionando por falta de profissionais”, afirmou o parlamentar.
A declaração reforça o cenário já considerado crítico por deputados e representantes da categoria. O problema teria se agravado após a demissão de 56 profissionais no dia 31 de março, entre condutores de ambulância, enfermeiros e técnicos de enfermagem.
De acordo com Lúdio, as bases do Samu já operavam com déficit de pessoal antes das demissões. Com a redução no quadro, unidades deixaram de funcionar, prejudicando o atendimento de urgência e emergência em Cuiabá e Várzea Grande.
“Não tem sentido você não ter o Samu funcionando, porque está no próprio nome: é urgência e emergência no atendimento para as pessoas”, criticou.
O parlamentar destacou que, desde março, vem dialogando com os profissionais e cobrando providências da Secretaria de Estado de Saúde e de órgãos de controle. Entre as medidas já adotadas estão um requerimento de convocação do secretário de Saúde, formalização de denúncia e articulação com o Ministério Público, que instaurou inquérito para apurar o caso.
A principal reivindicação é a readmissão imediata dos profissionais desligados e a recomposição das equipes.
Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso informou, por meio de nota, que não há desassistência no atendimento pré-hospitalar à população. Segundo a pasta, há cooperação entre o Samu e o Corpo de Bombeiros, o que teria ampliado a cobertura do serviço na Baixada Cuiabana.
A secretaria também destacou que essa integração contribuiu para a redução do tempo de resposta às ocorrências em 36%.
Apesar da justificativa do governo, a crise levou a ALMT a convocar o secretário de Saúde, Juliano Melo, para prestar esclarecimentos. A audiência está marcada para o próximo dia 22. Mesmo fora do exercício do mandato no momento, Lúdio afirmou que pretende acompanhar a discussão e manter a pressão por respostas.