
Candidato ao Senado por Mato Grosso, o ex-governador Pedro Taques, voltou a fazer duras críticas ao Supremo Tribunal Federal e defendeu mudanças na relação entre os Poderes. Em entrevista ao Capital Notícias, Taques afirmou que, na avaliação dele, o STF tem ultrapassado os limites de suas atribuições e citou especificamente o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo Taques, Moraes deveria ser investigado diante das suspeitas que vieram à tona no contexto do caso envolvendo o Banco Master. O candidato afirmou que já defendia essa investigação antes das novas revelações e disse que sua posição não seria uma reação oportunista ao cenário político atual.
“O STF pulou o córrego e eu estou falando disso há mais de quatro meses. Se você entrar nas minhas redes sociais, Pedro Taques, você vai ver, eu fiz um vídeo, vários vídeos de quatro meses pra cá, dizendo que Alexandre de Moraes tem que ser investigado. Agora, esta semana, é que apareceram as mensagens, mas eu estou defendendo isso há mais de quatro meses. Portanto, eu não sou um político oportunista, eu sou político que tem convicção do que estou dizendo.”
Taques também defendeu que o Supremo seja tratado como uma instituição, e não a partir da atuação individual de seus ministros. Para ele, cabe ao Senado exercer com independência a função de analisar e aprovar indicações para a Corte.
O candidato aproveitou a discussão para atacar adversários na disputa pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado. Sem apresentar, na entrevista, documentos ou provas para sustentar as acusações, Taques afirmou que o ex-governador Mauro Mendes e a deputada estadual Janaína Riva não teriam independência para votar em ministros do Supremo por causa de processos e investigações envolvendo seus grupos políticos e familiares.
“Aí você vai votar no Mauro Mendes, Mauro Mendes tem lá processo do Supremo, processo no STJ, ele e o filho dele, como diz o Júlio Campos, ele tá na pica do saci, pra ser preso. Ele vai ter independência para votar no ministro do Supremo? Não vai ter. Janaína Riva, o pai dela tem 100 processos, ela passou a vida toda sustentada pelo dinheiro da corrupção. Ela vai ter independência? Por isso, para ser senador precisa ter independência, não pode ter rabo preso.”
As declarações ocorrem em um momento de forte tensão institucional envolvendo o STF. Nos últimos dias, decisões conflitantes entre ministros da Corte e a crise envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça ampliaram o debate sobre os limites de atuação do Supremo e sua relação com os demais Poderes. O presidente do STF, Edson Fachin, chegou a retirar Moraes da relatoria do inquérito das fake news e suspendeu decisões conflitantes envolvendo a Polícia Federal. Uma sessão extraordinária do Supremo foi convocada para discutir a crise.
Taques tem defendido mudanças na estrutura do STF. Em outra manifestação recente, afirmou que a Corte estaria exercendo funções que deveriam caber aos políticos e defendeu mandato de 12 anos para ministros do Supremo.
Para Taques, o eleitor precisa escolher senadores sem vínculos que possam comprometer sua atuação no Congresso. O candidato afirma que, caso seja eleito, pretende defender mudanças no funcionamento do Supremo e cobrar maior equilíbrio entre os três Poderes. “Por isso, para ser senador precisa ter independência, não pode ter rabo preso.”