O quadro clínico do Cacique Raoni Metuktire apresentou novas complicações na última terça-feira (30), quando o líder indígena manifestou um episódio de hemorriga digestiva alta, com sangramentos ativos no estômago e no duodeno que foram controlados após uma endoscopia de emergência, motivando sua transferência imediata para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Atualmente, na UTI do Hospital São Paulo (HSP/UNIFESP), na capital paulista, a liderança de 93 anos apresenta uma evolução clínica estável, encontrando-se consciente, respondendo a comandos, evoluindo de forma afebril e respirando em ar ambiente, sem a necessidade de suporte de aparelhos. Uma nova atualização médica oficial sobre o seu estado de saúde é aguardada para a tarde desta quinta-feira (02).
A internação na capital paulista teve início no dia 19 de junho, quando Raoni deu entrada na instituição com um diagnóstico de pneumonia aspirativa e obstrução intestinal alta. No dia seguinte, 20 de junho, ele foi submetido a uma cirurgia de desobstrução para a manutenção do trânsito intestinal, procedimento que ocorreu sem complicações. Durante o período de internação em São Paulo, os médicos também identificaram e drenaram, sem intercorrências, um pneumotórax no pulmão direito da liderança indígena.
Essa sequência de procedimentos na capital paulista ocorre logo após um período crítico em que o líder indígena enfrentou sérios problemas de saúde em Mato Grosso, culminando em uma transferência aérea de emergência no dia 14 de junho para o Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop. Na ocasião, o cacique estava em sua residência em Peixoto de Azevedo, onde recebia visitas de lideranças e pajés, quando passou a apresentar episódios repetidos de vômito, tosse persistente, dor abdominal e expectoração com pequenas quantidades de sangue. Ao dar entrada no hospital de Sinop em estado grave, Raoni manifestava desidratação, sonolência acentuada, abdome distendido e ausência de diurese. A principal hipótese diagnóstica na época foi de sepse de foco pulmonar secundária a pneumonia broncoaspirativa decorrente dos vômitos, além de uma suboclusão gástrica evidenciada em exames de tomografia.
Sob os cuidados dos médicos Dr. Douglas Yanai, Dr. Túlio Orathes Ponte e Dra. Helena Mª S. Barbosa em Sinop, Raoni recebeu suporte intensivo com hidratação venosa e antibioticoterapia de amplo espectro antes de sua posterior transferência para o hospital em São Paulo. O quadro recente acendeu alertas na comunidade e entre os familiares que o acompanham, uma vez que o cacique possui comorbidades preexistentes importantes, tais como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), insuficiência cardíaca e cardiopatia com uso de marcapasso. Ele já vinha recebendo acompanhamento domiciliar após um histórico de outras duas internações em maio por dores abdominais e piora respiratória. A equipe médica em São Paulo segue monitorando continuamente o paciente para garantir que sua atual evolução favorável se consolide diante da fragilidade clínica provocada pela sequência recente de diagnósticos.