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CÂMARA DE CUIABÁ

Sessão é marcada por tumulto, gritos e ameaça de suspensão

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A sessão ordinária da Câmara Municipal de Cuiabá desta quinta-feira (9) foi palco de um intenso tumulto e bate-boca generalizado que quase levou à suspensão dos trabalhos. O clima político na Casa de Leis esquentou devido à forte oposição liderada pelo grupo do vereador Ilde Taques contra uma tentativa de alteração no Regimento Interno do Legislativo.

O estopim da confusão envolveu uma ação judicial movida pelo prefeito Abilio Brunini para derrubar a exigência de quórum de dois terços para votações de mudanças regimentais, uma manobra criticada pela oposição por visar diretamente viabilizar a reeleição da atual presidente da Câmara, Paula Calil.

Durante os discursos, a vice-presidente da Casa, Maysa Leão, subiu o tom contra o Executivo, afirmando que o plenário foi ignorado e que o Parlamento cuiabano está operando como uma filial do prefeito Abilio, comparando a situação ao cenário da gestão passada, quando os opositores criticavam a Câmara por ser um puxadinho da Prefeitura.

O embate escalou para o campo pessoal quando o vice-líder do governo, Demilson Nogueira, utilizou a tribuna para rebater duramente as declarações de Maysa Leão. Demilson criticou a parlamentar por expor em plenário assuntos tratados em reuniões reservadas na presidência e disparou que passaria a tratá-la com insignificância, afirmando ainda que não serviria de escada para as pretensões da colega.

O vereador também acusou Maysa de ter o hábito de agredir os outros quando contrariada e relembrou que a ajudou no passado durante um processo de cassação, apontando uma suposta incoerência na postura da vereadora. Sentindo-se ofendida em sua honra, Maysa Leão exigiu direito de resposta imediatamente, mas o pedido foi negado pela presidente Paula Calil, que justificou que Demilson não havia atacado a honra da parlamentar, mas sim emitido uma opinião política.

A recusa da presidente em conceder a palavra desencadeou uma revolta no plenário. Irritada, Maysa Leão levantou-se e passou a gritar diretamente com Paula Calil, exigindo o cumprimento do seu tempo de fala. Diante do impasse, diversos vereadores abandonaram suas cadeiras e se aglomeraram ao redor da tribuna para pressionar a mesa diretora, iniciando uma confusão generalizada.

Para conter os ânimos exaltados e evitar agressões físicas, Paula Calil ameaçou suspender a sessão de forma definitiva. A advertência funcionou e os parlamentares começaram a se dispersar lentamente, permitindo que Maysa fosse amparada por colegas do bloco aliado e que o grande expediente da sessão tivesse continuidade.

Além da discussão sobre o quórum de votação, a pauta da sessão também foi inflamada por acusações de blindagem à gestão municipal. Maysa Leão trouxe a público o embate sobre o arquivamento de uma denúncia de assédio sexual que teria ocorrido na Prefeitura de Cuiabá. A vereadora Maria Avallone protocolou o desarquivamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Assédio Sexual, mas Maysa acusou Demilson Nogueira de realizar uma manobra protocolando uma nova comissão tarde da noite para tentar barrar as investigações.

Em contrapartida, a base governista defendeu a legalidade das ações e o vereador Wilson Kero Kero defendeu a mudança do quórum de dois terços para maioria simples, relembrando um caso jurídico anterior envolvendo o próprio Abilio Brunini quando era vereador.

Paula Calil confirmou que estuda com a assessoria da presidência a alteração do artigo 77 do regimento, classificando a maioria simples como um quórum democrático e reforçando que continuará lutando dentro da legalidade para viabilizar sua chapa à reeleição na Câmara Municipal.

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