
A sessão ordinária da Câmara Municipal de Várzea Grande desta terça-feira (05) foi marcada por um discurso contundente da vereadora Rosy Prado (União Brasil). Durante o tempo destinado à tribuna, a parlamentar anunciou o protocolo de uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o vereador Kleber Feitoza (PSB), com pedido de cassação de mandato. A acusação se baseia em áudios de WhatsApp enviados pelo colega, nos quais ela alega ter sido vítima de calúnia e violência política de gênero.
De acordo com a representação lida por Rosy Prado, os episódios ocorreram no dia 26 de abril, quando ela teria recebido mensagens de áudio do vereador Kleber Feitoza. Em um dos trechos transcritos pela parlamentar, ele teria dito:
“Fica tranquila, vereadora. Eu vou colocar no empalador um vídeo que eu tenho da senhora, pegando pacozinho lá no Vanderley. Fica tranquila. Você acha que eu não sei que você vai lá bater os 10 cruzeiros por mês? Eu tenho vídeo aqui. Você acha que eu não filmo?”
A vereadora interpretou as expressões “pacozinho” e “10 cruzeiros” como uma imputação falsa de recebimento de propina, inclusive mencionando o nome do presidente da Casa, Vanderley Cerqueira. Para Rosy, a conduta configura crime de calúnia e violência política de gênero.
Emocionada na tribuna, Rosy Prado revelou que precisou buscar apoio psicológico após os áudios. Ela também preside a Comissão da Mulher da Câmara e destacou a ironia da situação: “Sempre incentivei mulheres vítimas de violência a buscarem justiça. Agora eu mesma me vejo nessa posição, enfrentando um agressor que é meu colega de trabalho.”
A parlamentar afirmou que, no dia seguinte ao recebimento das mensagens, não conseguiu exercer plenamente suas funções como primeira-secretária da Mesa Diretora, tamanho o abalo emocional.
No documento protocolado tanto na Comissão de Ética quanto na presidência da Casa, Rosy Prado pede a cassação do mandato de Kleber Feitoza, com base no artigo 55 da Constituição Federal e no regimento interno da Câmara, que trata de quebra de decoro parlamentar.
“Espero que esta Casa tome as providências cabíveis dentro da lei. Sou uma mulher forte, de cabeça erguida, e vou continuar”, concluiu Rosy Prado.