O ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), publicou um vídeo no Instagram nesta sexta-feira para rebater a investigação sigilosa aberta pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) que apura suposto favorecimento ao Banco Master no credenciamento do programa de cartão benefício para servidores estaduais, o Credcesta, em 2023. No vídeo, Mendes classificou o caso como “fábrica de fake news” e relacionou a divulgação da apuração ao anúncio de sua pré-candidatura ao Senado, feito um dia antes. “Por muita coincidência, essa notícia foi publicada exatamente no dia seguinte quando eu anunciei a minha pré-candidatura ao Senado”, afirmou.
A investigação, revelada em reportagem do jornal O Globo, foi solicitada pela Procuradoria-Geral da República e tramita em sigilo no STJ. O inquérito apura se houve irregularidades na criação de uma margem consignável exclusiva de 10% para cartões de benefícios e no posterior credenciamento do Banco Master para operar o serviço. Segundo a PGR, o banco pediu o cadastramento poucos dias após o decreto estadual e recebeu autorização em um processo considerado rápido. O período coincide com uma viagem de Mendes e do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Nova York para um evento.
Em sua defesa, Mendes afirmou que todo o processo ocorreu dentro da legalidade e atendeu a um pedido da Assembleia Legislativa, por iniciativa do deputado estadual Valdir Barranco (PT). “Mas todo esse processo foi feito dentro da mais absoluta legalidade”, disse. Segundo o ex-governador, 24 bancos e instituições se credenciaram para fornecer o cartão benefício aos servidores de Mato Grosso. “Vou repetir, 24 bancos e instituições fizeram cadastramento de acordo com os regulamentos do Estado de Mato Grosso. Portanto, o Banco Master foi apenas mais um entre esses 24. E ele, quando se cadastrou, já tinha quatro outros bancos e instituições cadastrados”, completou. Mendes ressaltou ainda que o mesmo modelo de cartão benefício existiu em 22 estados brasileiros, com a participação do Master e de outras instituições. “Eu pergunto a vocês, onde está o favorecimento? 24 bancos cadastrados para esse serviço e o Master foi apenas mais um e sequer foi o primeiro a se cadastrar”, questionou.
O ex-governador disse que, se a investigação for séria, não vê problema em sua realização. “Se a investigação for séria, pode fazer, não tem problema nenhum. Os atos de credenciamento foram corretos, eles foram praticados por servidores públicos de carreira e todos eles estão lá para esclarecer qualquer dúvida”. No vídeo, Mendes afirmou ter ouvido nos bastidores da política que um ex-governador, também pré-candidato ao Senado, estaria usando influência no Ministério Público Federal para prejudicá-lo. “Ele tem andado por Brasília usando da sua influência no Ministério Público Federal, que ele já foi membro do Ministério Público Federal e deve ter por lá alguns amigos, junto com alguns políticos aqui de Mato Grosso para criar, para fabricar algum tipo de operação, algum tipo de situação para tentar me prejudicar aqui no estado com essas mentiras. Isso seria uma grande forçação de barra. Não vão conseguir”.
Ele negou conhecer ou ter relação com Daniel Vorcaro. “Não conheço e não tenho nenhuma relação com esse tal Vorcaro. Essa semana tentaram fabricar uma fake news nesse sentido e já foi desmentido um documento oficial emitido pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro”. Mendes ainda citou o ditado: “Mentira tem perna curta”.
O ex-governador lembrou que, em 2014, quando era prefeito de Cuiabá, foi alvo de busca e apreensão a pedido do Ministério Público Federal. “O Ministério Público Federal naquele ano, ele pediu lá num dia busca e apreensão em 50 locais. Entre um deles, colocaram a minha residência, que era prefeito de Cuiabá. Dois anos depois, com um parecer da Polícia Federal, do próprio Ministério Público Federal e da Justiça, tudo foi arquivado. Estava tudo certo, mas aquilo, durante dois anos até o encerramento, me causou grandes danos e transtornos”, disse. Para ele, há uma tentativa de “aplicar esse golpe novamente para tentar me prejudicar”. O ex-governador afirmou que “o comitê da maldade da fake news, ele está muito bem organizado aqui em Mato Grosso e atuando forte aqui no estado. Aqui no estado e em Brasília. Alguns desses membros desse comitê da maldade já foram condenados pela justiça e todos todos serão processados”.
O caso Credcesta também é alvo de investigações no Rio de Janeiro, envolvendo o ex-governador Cláudio Castro, e na Bahia. Em Mato Grosso, sindicatos de servidores questionam o programa na Justiça, alegando que mais de 15 mil servidores enfrentaram superendividamento e contratos pouco transparentes. Advogados sustentam que empresas sem autorização do Banco Central foram autorizadas a operar crédito consignado antes de terem suas carteiras absorvidas pelo Banco Master.
Até o momento, a investigação no STJ está em andamento e não há decisão judicial que conclua pela existência de irregularidades ou pela responsabilidade de Mauro Mendes. O ex-governador deixou o governo de Mato Grosso há três meses para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026.
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