Em uma das retas finais mais acirradas do pleito eleitoral, o vice-governador e candidato ao governo de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, subiu o tom após o último debate e respondeu frontalmente às acusações sobre a concessão de renúncia fiscal para empresas ligadas à sua família. Alvo de duras críticas dos seus adversários, Pivetta defendeu a legalidade do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (PRODEIC), destacou o impacto socioeconômico das suas empresas e atacou os rivais políticos.
Questionado sobre a controvérsia em torno dos incentivos concedidos às suas empresas — ponto explorado durante o confronto televisivo —, Pivetta justificou que o PRODEIC é uma ferramenta de Estado voltada para atrair e fixar investimentos diante das desvantagens logísticas regionais. “O PRODEIC foi concedido para 1.500 empresas, distribuídas em 130 dos 142 municípios do estado de Mato Grosso”, declarou. O candidato ressaltou os resultados de seus empreendimentos no estado: “No caso das minhas empresas, elas geram 2.000 empregos e pagaram nesse período 1 bilhão de reais ou próximo disso de impostos. Imaginem vocês se não tivesse o PRODEIC no Mato Grosso”.
O candidato exemplificou o sucesso do modelo lembrando a consolidação do setor de etanol de milho, pioneiro em Lucas do Rio Verde, e rebateu os argumentos de que a renúncia prejudica a arrecadação. “As usinas de etanol, por exemplo, só as usinas de etanol, que era zero — nós inventamos o etanol de milho no Brasil, fomos nós, Lucas do Rio Verde começou —, só as usinas de etanol arrecadam 4 milhões de reais esse ano, não era nada, entende? Então, esse dinheiro é para educação, é para saúde, é para infraestrutura”, enfatizou. Pivetta destacou ainda as barreiras geográficas: “Nós temos distâncias a ser percorrida para os centros de consumo, já pensou nós competindo com o etanol da cana de São Paulo sem incentivo? Como é que nós vamos competir? Não teria saído nenhuma indústria de etanol no Mato Grosso”.
Prometendo manter e fortalecer a política de incentivos para garantir segurança jurídica aos investidores, Pivetta anunciou o plano de expandir a industrialização para a Baixada Cuiabana e o baixo Rio Cuiabá por meio da cadeia têxtil. “Nós queremos atrair mais investimentos e não afugentar os que estão aí. Nós queremos segurança jurídica para quem investir, assumir risco no Mato Grosso é bem-vindo. Nós queremos desenvolvimento, nós queremos que a prosperidade alcance todos os mato-grossenses, inclusive do Baixo Rio Cuiabá, da baixada cuiabana, é onde nós vamos desenvolver a cadeia têxtil”, prometeu.
Sem poupar os adversários que criticaram as desonerações, ele encerrou a entrevista desqualificando as acusações ao afirmar que mentir e fazer promessas irresponsáveis é a especialidade do consórcio formado pelo PT e pelo candidato a quem se referiu como “melancia”, classificando o discurso da oposição como uma coleção de mentiras. “Então, mentir, falar besteira, falar promessa irresponsável é especialidade do consórcio que se voltou contra mim aí, do PT e o candidato melancia. Eles dois é uma coleção de mentira, impressionante”, disparou.
OUTRO LADO
O cenário de cobranças foi motivado pelas declarações de Wellington Fagundes, que usou o debate para focar nas cifras dos benefícios fiscais concedidos no estado. O opositor destacou dados sobre a Natural Pork Alimentos, empresa com vínculo empresarial histórico com Pivetta, afirmando que a entidade recebeu cerca de R$ 492 milhões em renúncias fiscais entre 2019 e 2025.
Fagundes sustentou também que há uma forte concentração de benefícios no estado, citando dados do Tribunal de Contas que indicam a destinação de R$ 4,6 bilhões em incentivos para apenas 30 beneficiários no ano de 2023. Durante os confrontos, Wellington comparou o volume expressivo de recursos desonerados com a quantidade de obras públicas que poderiam ser realizadas no estado, citando a construção de moradias, hospitais e pavimentação de rodovias.
Apesar das duras críticas, o opositor ponderou que não defende o fim do PRODEIC, mas sim uma reformulação nas regras para exigir contrapartidas claras e obrigatórias dos empresários, condicionando os incentivos à efetiva geração de empregos, industrialização, capacitação profissional e compromissos socioambientais.