A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), exonerou dois secretários da Casa nesta semana: Rayhana Saywre Tada Arnut, da Secretaria de Cultura, e Uile Felipe Marques Rosa, da Secretaria de Patrimônio e Serviços. Ambos haviam sido indicados por vereadores de oposição à atual mesa diretora.
As demissões ocorrem em meio a uma articulação para alterar o regimento interno da Câmara e permitir a reeleição da mesa diretora. O movimento intensificou a crise política no Legislativo cuiabano e gerou críticas de que Paula estaria usando a estrutura administrativa para retaliar adversários.
Questionada sobre as exonerações, Paula Calil defendeu que as trocas são prerrogativa do gestor. Em fala pública, a presidente comparou a situação da Câmara à de outros poderes:
“Mudanças administrativas fazem parte de qualquer gestão. Tanto na gestão da Câmara Municipal, como na própria gestão dos gabinetes, os vereadores reoxigenam seus gabinetes. Tanto na Prefeitura, como no Governo do Estado, Assembleia Legislativa e Tribunal de Contas fazem parte. O gestor tem essa autonomia. Como que nós nomeamos os nossos, principalmente, primeiro escalão? Avaliando a sua capacidade técnica e aliado à confiabilidade. Então, no momento que o gestor julga necessário fazer uma reorganização administrativa, ele pode fazer sim. É uma autonomia que o gestor tem”.
Paula nega que as exonerações tenham motivação política e afirma ser alvo de “narrativas para desestabilizá-la”.
A vice-presidente da Câmara, vereadora Maysa Leão (Republicanos), e outros parlamentares se manifestaram contra as demissões e contra a tentativa de mudar o regimento para permitir reeleições na mesa. O grupo alega que a movimentação compromete a independência do Legislativo.
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), que inicialmente apoiou Paula Calil na presidência, decidiu recuar e não interferir nas negociações internas da Câmara. A decisão foi tomada para evitar desgaste político em meio à disputa pelo controle da mesa diretora.
A proposta de alteração do regimento interno ainda precisa ser discutida e votada em plenário. Já as secretarias de Cultura e de Patrimônio e Serviços seguem sem titulares definidos. A expectativa é de que Paula Calil anuncie novos nomes nos próximos dias.