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ENTREVISTA

Maurício critica uso de dinheiro público em campanhas: “Não faz sentido”

Candidato ao Governo de MT defende campanhas mais baratas e diz que financiamento público pode criar relações de dependência entre políticos e doadores

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O candidato ao Governo de Mato Grosso Maurício Coelho criticou o uso de recursos públicos para financiar campanhas eleitorais e defendeu mudanças no atual modelo de financiamento político. Em entrevista ao Capital Notícia, nesta quarta-feira (30), ele afirmou que cabe ao eleitor pressionar por campanhas mais econômicas.

A declaração ocorre em meio a uma campanha eleitoral que já movimentou R$ 74,3 milhões em Mato Grosso, segundo dados do DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), citados pelo jornal A Gazeta. Do total, 60,43% são recursos públicos e 39,57% privados.

A maior movimentação está nas candidaturas a deputado federal, que somam R$ 28,64 milhões, sendo 82,8% provenientes de recursos públicos. Para deputado estadual, o volume chega a R$ 27,34 milhões, com 60,6% de origem privada.

Na disputa pelo Governo de Mato Grosso, as candidaturas já movimentaram cerca de R$ 12,27 milhões, enquanto a corrida ao Senado soma R$ 6,11 milhões.

Maurício defendeu que as campanhas sejam cada vez mais baseadas em entrevistas, debates e sabatinas, reduzindo a necessidade de grandes estruturas de publicidade.

“Quanto mais a gente conseguir orientar nossa política para não existência quase de campanha, melhor”, afirmou.

Segundo o candidato, o eleitor poderia assumir um papel mais ativo na definição dos limites das campanhas, inclusive rejeitando candidatos que utilizem recursos públicos.

“Se ele quiser, de fato, dizer: ‘Eu não vou votar em quem usar o Fundo Eleitoral’, não importa a lei, o Fundo Eleitoral acaba”, declarou.

Recursos partidários

Na disputa pelo Governo, os repasses partidários representam uma parcela significativa dos recursos. Conforme o levantamento citado por A Gazeta, Wellington Fagundes recebeu cerca de R$ 5,99 milhões do PL, enquanto Otaviano Pivetta recebeu aproximadamente R$ 3 milhões dos partidos. Já Natasha Slhessarenko recebeu R$ 4,5 milhões do PSD.

O levantamento ressalta, porém, que recursos repassados pelos partidos não significam necessariamente dinheiro público, já que as legendas também podem utilizar doações privadas e outras receitas permitidas pela legislação eleitoral.

Maurício, por outro lado, questiona justamente a utilização de dinheiro público em uma atividade que, segundo ele, não segue os mesmos critérios de contratação e governança aplicados à administração pública.

“Não faz sentido eu usar dinheiro público para contratar o profissional da minha confiança”, afirmou.

Financiamento e corrupção

Para Maurício Coelho, a redução dos custos das campanhas também poderia contribuir para diminuir relações de dependência entre candidatos e financiadores.

“Muito da corrupção acontece porque o político precisa se financiar em campanha, aí ele arruma um doador, depois ele está na mão desse doador”, disse.

O candidato também citou o exemplo de Gramado, no Rio Grande do Sul, onde, segundo ele, eleitores teriam pressionado candidatos a retirar materiais de campanha das ruas.

Para Maurício, esse tipo de mobilização demonstra que o eleitor pode estabelecer limites independentemente das regras eleitorais.

“A gente vai melhorar a política na hora que as cobranças não vierem da lei, vierem dos eleitores”, afirmou.

 

 

 

 

 

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