Começou na manhã desta terça-feira, 28, no Plenário do Júri do Fórum de Cuiabá, o julgamento dos três acusados de assassinar o advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023. Sentam no banco dos réus Antônio Gomes da Silva, apontado como o autor dos disparos, Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de intermediar a execução e fornecer a arma, e o coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado como o financiador do crime.
A sessão é presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal – Justiça Militar e Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá, e tem transmissão ao vivo pelo canal oficial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso no YouTube. A acusação em plenário é conduzida pelos promotores Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva, do Núcleo de Defesa da Vida do MPMT. A defesa é feita pelos advogados Felipe André Laranjo, Ronaldo Lara Junior, Sarah Quinetti Pironi, Jayme Rodrigues Carvalho Junior e Patrick Igor Lopes Alves.
Os três respondem por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe mediante paga ou promessa de recompensa, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito. De acordo com o Ministério Público, Zampieri foi executado no dia 5 de dezembro de 2023, quando deixava o escritório no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. A investigação aponta que o crime teria sido motivado por disputa envolvendo uma fazenda avaliada em cerca de R$ 100 milhões.
O caso ganhou repercussão nacional após a perícia no celular da vítima revelar indícios de negociação de decisões judiciais, o que originou a Operação Sisamnes, da Polícia Federal. O julgamento desta terça-feira, no entanto, é restrito ao núcleo executor do homicídio. Estão previstas oitivas de testemunhas arroladas pelas partes, incluindo delegados da Polícia Civil e Federal, investigadores e analistas de inteligência. Ao final, caberá ao Conselho de Sentença decidir se os réus são culpados ou inocentes.