
Em entrevista nesta quarta-feira (15), o deputado estadual Júlio Campos (União) rebateu as duras críticas feitas pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O gestor municipal classificou como um “ataque direto” a aprovação de uma lei que altera os limites territoriais da capital, transferindo áreas como o entorno do Hospital Universitário Júlio Müller para Santo Antônio de Leverger.
Campos, no entanto, atribuiu a reação do prefeito a interesses políticos pessoais, citando a pré-campanha da esposa de Abilio, a vereadora Samantha Brunini (PL), que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.
“Essa atitude, a meu ver, pode estar relacionada a interesses políticos, possivelmente relacionados à candidatura de sua esposa, que busca uma vaga na Assembleia Legislativa, o que o leva a criticar os atuais deputados”, afirmou o parlamentar.
Na avaliação de Júlio Campos, o prefeito age de forma contraditória. Ele lembra que Abilio esteve recentemente na ALMT, almoçou com deputados e pediu apoio financeiro para eventos do aniversário de Cuiabá. A Assembleia, segundo o deputado, destinou recursos próprios para o show no Parque das Águas. “Ele deveria agradecer o apoio, mas no mesmo momento critica a Assembleia”, disse.
Sobre a polêmica mudança territorial, o deputado explicou que a lei foi proposta pelo colega Wilson Santos e aprovada sem maior discussão, como forma de compensar perdas territoriais do município de Santo Antônio de Leverger na região serrana. Por outro lado, Júlio Campos minimizou os efeitos práticos da alteração sobre o hospital, destacando que a unidade não depende da administração municipal.
“O hospital universitário não tem nada a ver com a prefeitura de Cuiabá. Quem mantém o Júlio Müller não é nem o governo do estado, é o Ministério da Educação, por meio da Ebserh. A prefeitura não aporta recurso nenhum ali. Estar em Cuiabá, Várzea Grande ou Leverger não muda seu funcionamento”, argumentou o deputado.
Apesar de considerar que a crítica de Abilio foi “injusta e infeliz”, Campos deixou em aberto a possibilidade de corrigir a demarcação. “Ele poderia ter vindo discutir conosco, quem sabe mudar o perímetro, tirando só um pedacinho do hospital e devolvendo para Cuiabá. Mas prefere criticar antes do diálogo.”
O prefeito, por sua vez, já havia classificado a mudança como um “surrupio” e ameaçou suspender licenças e alvarás nas regiões afetadas. A ALMT ainda não se manifestou oficialmente sobre um possível ajuste nos limites.