Em uma celebração emocionante, Dom Mário Antonio da Silva tomou posse canônica como novo arcebispo metropolitano de Aparecida no último sábado (2), na Catedral Basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. A cerimônia reuniu cardeais, bispos, padres, religiosos, autoridades civis e milhares de fiéis, além de ser acompanhada por meios de comunicação em todo o país.
Inspirado pelas leituras bíblicas do dia (Jo 14,1-12; At 6,1-7; 1Pd 2,4-9), o novo arcebispo destacou, em sua homilia, que seu ministério será guiado por um “programa de vida” centrado no mistério pascal: viver em Cristo e produzir frutos concretos na vida da Igreja e da sociedade. “Não se trata de qualquer fruto, mas daqueles que nascem de uma vida renovada pelo Batismo, sustentada pela graça de Deus e fiel ao Evangelho”, afirmou.
Ao refletir sobre a passagem do Evangelho — “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” — Dom Mário ressaltou que toda fecundidade da Igreja nasce da união com Cristo. Segundo ele, essa verdade orienta tanto o ministério episcopal quanto a vivência dos fiéis.
Como pastor, afirmou que o bispo é chamado a conduzir o povo de Deus com discernimento, promovendo uma Igreja sinodal, unida e fiel ao Evangelho. Já os cristãos são convidados a viver uma fé dinâmica, marcada pela conversão contínua e pelo testemunho no cotidiano. A espiritualidade dos romeiros, especialmente no Santuário Nacional, também foi destacada como expressão concreta dessa caminhada de fé.
A homilia também enfatizou a importância de uma Igreja comprometida com o serviço, inspirada no exemplo dos apóstolos na organização da caridade (At 6,1-7). Dom Mário alertou para desafios sociais urgentes, como a violência, especialmente contra as mulheres, e de ações concretas em favor dos mais vulneráveis.
Entre os compromissos apontados estão o fortalecimento da dimensão caritativa do dízimo, o apoio às obras sociais e à Cáritas, além da vivência da Campanha da Fraternidade. Ele também recordou a intenção mensal do Papa Leão XIV, que convida à responsabilidade no combate ao desperdício de alimentos e à promoção do acesso à alimentação digna.
Com base na carta de São Pedro, o arcebispo lembrou que todos os fiéis são “pedras vivas” na construção da Igreja, cuja solidez está em Cristo, a pedra angular. Nesse contexto, destacou o papel de Nossa Senhora Aparecida como modelo de fecundidade, por seu “sim” a Deus.
“Aqui, nesta casa, vemos uma Igreja que gera frutos ao longo da história: frutos de fé, conversão, vocações e caridade”, disse, convidando os fiéis a refletirem sobre sua própria resposta ao chamado divino.
Ao concluir a homilia, Dom Mário reforçou que seu ministério será orientado pela promoção da comunhão, da justiça e da esperança, especialmente junto aos mais necessitados. “Dar muitos frutos significa gerar comunhão onde há divisão, levar esperança onde há medo e promover justiça onde há exclusão”, destacou.
Em suas palavras finais, visivelmente emocionado, o novo arcebispo agradeceu a presença de diversas autoridades eclesiais, entre elas Dom Orlando Brandes, o núncio apostólico Dom Giambattista Diquattro, além de cardeais como Dom Odilo Scherer e Dom Raymundo Damasceno.
Também dirigiu palavras às dioceses por onde passou: Jacarezinho, Manaus, Roraima e Cuiabá; e à nova Arquidiocese de Aparecida, pedindo colaboração, oração e caminhada conjunta. Dom Mário ainda saudou autoridades civis, e reforçou a importância da união entre Igreja e sociedade na busca pelo bem comum.
SEDE VACANTE
A Arquidiocese de Cuiabá encontra-se atualmente em período de sede vacante, que ocorre quando a cátedra episcopal está sem o seu titular, seja por transferência, renúncia ou falecimento do arcebispo. Neste tempo, a condução pastoral e administrativa da arquidiocese é assumida provisoriamente por um administrador arquidiocesano, eleito conforme as normas da Igreja, garantindo a continuidade das atividades e da missão evangelizadora até a nomeação e posse do novo arcebispo. Na prática, a Igreja, que é viva, permanece com pastorais.
Durante o período de sede vacante na Arquidiocese de Cuiabá, além da ausência do arcebispo titular, também se omite, nas celebrações litúrgicas, a oração pelo arcebispo nas preces e na Oração Eucarística. Essa prática segue a tradição da Igreja, que expressa, de forma simbólica, que a cátedra está temporariamente vacante, permanecendo, contudo, a comunhão com a Igreja universal por meio da menção ao Papa e da continuidade da vida pastoral sob a condução do administrador arquidiocesano.
Amanhã (5), haverá uma Assembleia do Conselho de Presbíteros. Estes, deverão anunciar o novo administrador da Arquidiocese de Cuiabá, que será eleito e conduzirá as atividades da Arquidiocese, em comunhão com o Conselho Econômico, até que o Papa LeãoXIV nomeie e dê posse ao novo e futuro arcebispo de Cuiabá.