O impacto das compras online e as mudanças no comportamento do consumidor acenderam o sinal de alerta para o comércio tradicional na região central da capital. Em entrevista, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, analisou a queda de movimento e o fechamento de lojas na cidade, destacando que o modelo antigo de varejo presencial perdeu forças para a praticidade do e-commerce.
Provocado sobre o impacto do comércio eletrônico e sobre o papel das esferas governamentais na recuperação da área, Abilio respondeu de forma direta: “Pergunta é bem simples. Você compra pelo Mercado Livre? Você compra pela Shopee? Você compra pelo AliExpress? Você compra pela internet? Sim. E muitas das vezes é muito mais barato do que comprar no centro, ou comprar em qualquer outro lugar. E muitas das vezes as pessoas tão comprando pelo celular. Ou seja, a comodidade de você estar onde você está, comprando pelo celular e recebendo na sua casa. Isso acabou eliminando a modalidade de você ir em qualquer centro comercial”.
O gestor municipal enfatizou que a retração não é um fenômeno exclusivo da capital mato-grossense, citando que até mesmo grandes polos nacionais, como a região da Rua 25 de Março, em São Paulo, enfrentam esvaziamento. Para ele, o público que antes se deslocava para comprar itens básicos como roupas ou materiais escolares migrou para plataformas como a Shein. Além da concorrência virtual, o prefeito apontou gargalos locais que afastam os consumidores, como as altas temperaturas e as dificuldades de mobilidade. “E o público que hoje frequenta lá, muitas das vezes reclama do calor excessivo da cidade, porque você tem que andar no centro com muito calor, reclamam das vagas de estacionamento, que tem que pagar pra estacionar, por causa do estacionamento rotativo. Então, o centro precisa se reinventar”, avaliou.
Como alternativa de revitalização, a gestão municipal defende a transformação do espaço em um polo voltado para a convivência e a gastronomia. “E eu falei pra esse pessoal, falei ‘gente, tô pronto aqui pra fazer um calçadão aí na 13 de Junho, tô pronto aqui pra fazer uma feira na 13 de Junho, reinventar esse centro. Vamos trazer ele gastronomia, vamos trazer ele atividades diferente, porque gastronomia você pode até comprar pra entregar em casa, mas é gostoso você ir num lugar pra comprar e comer num restaurante, comer um lanche diferente'”, explicou o prefeito, concluindo com um alerta sobre o futuro da região: “Então assim, se o centro não reinventar, infelizmente tá fadado ao fracasso”.