Pelo menos 140 hectares da terra indígena Marãiwatsédé foram destruídos durante um incêndio na semana passada. O fogo foi registrado às margens da BR-158, entre os municípios de Confresa e Alto Boa Vista. As chamas foram controladas com ajuda da Brigada de Fogo e as causas ainda devem ser apuradas.
Mesmo com o fim do incêndio a situação preocupa as lideranças indígenas, tendo em vista a proximidade do período de seca e os problemas advindos com o início das queimadas.
Isso porque o fogo impacta a biodiversidade da região e a saúde da população indígena. “A nossa maior preocupação é com a saúde, principalmente das crianças. Com as queimadas a fumaça sobe, acabamos respirando e adoecendo”, afirma o cacique Damião Paridzané.
De ocupação Xavante, a terra indígena Marãiwatsédé tem cerca de 165,2 mil hectares e fica no nordeste de Mato Grosso. A área é localizada entre os municípios de Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia e São Félix do Araguaia.
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Área queimada
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Disputa na área
A área é motivo de disputa judicial e era ocupada por posseiros. Em 1996, os indígenas foram retirados da área. Entre 2012 e 2013, eles conseguiram voltar, após ações da Polícia Federal e da Funai, que retiraram os não índios que ocupavam o local. Com a retomada da terra, os indígenas passaram a arrendar a área para a criação do gado em parceria com pecuaristas da região. Por causa das chamas, os animais precisaram ser retirado às pressas.
A situação também preocupa indígena. Segundo as lideranças, os ganhos com o arrendamento são usados para garantir a alimentação e medicamentos para as cerca de 2,1 mil famílias que moram na área.
“As dificuldades serão grandes. Não sabemos o que aconteceu, por isso não vamos culpar ninguém, mas podem demorar para resolver essa situação”, completa o cacique Damião, fazendo um apelo às autoridades para que o caso seja investigado.
Em março, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e a Polícia Federal deflagraram a Operação Res Capta, com o objetivo de combater crimes de constituição de milícia privada, corrupção ativa e passiva, porte ilegal de arma de fogo, abuso de autoridade e crimes ambientais. O arrendamento da terra também é investigado na operação.