
Reprodução
Em entrevista à Rádio Capital FM nesta segunda-feira (13), o vereador Caio Cordeiro (Novo) criticou a portaria da Câmara Municipal de Várzea Grande que, segundo ele, restringe o acesso da população aos gabinetes parlamentares no período da tarde. O parlamentar afirmou ainda que a norma impede que os vereadores entrem no prédio após as 17h e antes das 7h do dia seguinte.
Caio contestou a justificativa apresentada pela presidência da Casa de que a medida apenas renovou uma portaria editada em 2019. Segundo ele, a comparação não é válida porque, naquela época, a Câmara funcionava em outro prédio alugado.
“Eles dizem que renovaram a portaria de 2019. Estão comparando com o prédio antigo que a gente tinha na Câmara, era horrível, com R$ 70 mil de aluguel. Agora fizeram uma nova portaria e nela deixam claro que, no período da tarde, está proibido o acesso do público”, afirmou.
O vereador explicou que seu gabinete permanecia em funcionamento durante todo o dia para atender a população por meio de agendamentos realizados pelo WhatsApp. De acordo com ele, a organização permitia atender pessoas que trabalham durante o dia e só conseguem procurar um vereador no fim da tarde.
“Eu fazia atendimento de manhã e também no período da tarde, sempre com horário agendado. Tem cidadão que trabalhou o dia inteiro e só consegue ir às 17 horas. Já atendi pessoas até às 19 horas”, relatou.
Caio também contestou o argumento de que não haveria servidores para manter o atendimento no período da tarde. Segundo ele, a Câmara conta com um porteiro e ainda recebe apoio de um guarda municipal disponibilizado pelo Poder Executivo. Quando havia atendimento agendado, bastava comunicar previamente a portaria para que a entrada fosse liberada.
Na avaliação do parlamentar, a mudança pode ter sido motivada pelo fato de ele ser um dos vereadores que mantinham atendimento no período da tarde.
“Não sei se é por mera perseguição, porque eles sabem que eu atendo no período da tarde. Agora eu não consigo entrar na Câmara depois das 17 horas. Se precisar, coloco uma mesa do lado de fora da Câmara e faço o atendimento lá”, declarou.
O vereador também criticou a forma como a portaria foi publicada. Segundo ele, a decisão não foi discutida com os demais 22 vereadores antes de entrar em vigor.
“Disseram que faltou diálogo da minha parte, que eu não procurei o presidente. Mas eles também não conversaram com os outros 22 parlamentares? Ele tomou a decisão sozinho”, afirmou.
Caio contou ainda que o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB) informou que a medida havia sido tomada pela Mesa Diretora. No entanto, segundo o vereador, ao procurar os integrantes do colegiado, recebeu outra versão.
“Liguei para o vereador Bruno Rios, para o Carlinhos Figueiredo e para a vereadora Rosy Prado. Todos disseram que não sabiam da portaria. Ou seja, ninguém da Mesa Diretora sabia”, declarou.
Ao encerrar a entrevista, Caio afirmou que continuará cobrando mudanças na norma e prometeu seguir denunciando medidas que, segundo ele, dificultam o acesso da população ao Legislativo.
“Mesmo que seja só eu batendo nessa tecla, vou continuar mostrando o que está acontecendo lá dentro e o que, muitas vezes, não é contado para a população”, concluiu.