
Foto: André Zambonini
O senador Carlos Fávaro (PSD-MT), ex-ministro da Agricultura e Pecuária do governo Lula, reagiu às declarações do candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), sobre a mistura de etanol na gasolina. Em vídeo publicado nas redes sociais, Fávaro afirmou que o parlamentar atacou o agronegócio brasileiro e o setor de etanol e classificou a declaração como demonstração de “total despreparo” e “total desrespeito” com quem produz no país.
A polêmica começou após Flávio questionar o percentual de etanol presente na gasolina, comparar a mudança à chamada “reduflação” e afirmar que o aumento da mistura poderia prejudicar os motores dos veículos. Em resposta, Fávaro contestou a declaração e afirmou que Flávio “mentiu” ao dizer que a mistura prejudica os motores.
Fávaro citou testes realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia e afirmou que a instituição testou e aprovou a mistura de 32% de etanol na gasolina, conhecida como E32. Segundo Fávaro, os testes comprovaram que o percentual não compromete a qualidade dos motores.
O senador também defendeu que uma maior participação do etanol pode trazer benefícios ao consumidor e ao meio ambiente. Segundo Fávaro, a mistura pode contribuir para combater a inflação, reduzir o preço dos combustíveis, diminuir as emissões e reduzir a dependência brasileira de combustíveis fósseis, especialmente em períodos de guerra e conflitos no Oriente Médio.
Mato Grosso
O senador destacou ainda a importância do setor para Mato Grosso, que, segundo ele, é o maior produtor brasileiro de etanol de milho. Fávaro comparou a cadeia de produção criada no Estado a uma “Petrobras do campo”.
“Quem ataca os biocombustíveis está jogando contra a nossa economia, contra os empregos, contra o desenvolvimento de Mato Grosso”, afirmou.
Entidades reagem
Fávaro citou ainda a manifestação de seis entidades nacionais do setor sucroenergético que publicaram uma manifestação de repúdio às declarações de Flávio Bolsonaro. São elas: União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), Bioenergia Brasil, Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (FEPLANA), União Nordestina dos Produtores de Cana (UNIDA) e Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA).
Em nota conjunta, as organizações defenderam a política de incentivo aos biocombustíveis, construída ao longo de décadas e mantida por diferentes governos. As entidades também lembraram que a Lei do Combustível do Futuro contou com a aprovação de Flávio Bolsonaro durante sua tramitação no Congresso Nacional.
Ao final do vídeo, Fávaro associou a defesa dos biocombustíveis à política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que o atual governo respeita o homem do campo, valoriza a transição energética e defende a soberania nacional.