Em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (18/05), data em que se lembra o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o delegado Ramiro Queiroz, titular da Deddica (Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente), emocionou jornalistas ao detalhar a crueldade de um dos presos na Operação Marco Zero – considerada a maior da Região Metropolitana de Cuiabá em número de prisões preventivas por abuso sexual infantojuvenil.
“O agressor não tem cara. Todos nós aqui temos a cara do agressor”, afirmou o delegado, ao explicar que a violência sexual contra crianças ocorre, na maioria das vezes, dentro de casa, cometida por pessoas próximas.
Ao relatar o cumprimento de um dos 18 mandados de prisão preventiva, o delegado contou que prendeu um pai – que tinha acabado de chegar do turno da noite de trabalho.
“Para a sociedade, ele é um trabalhador. Mas, atrás das quatro paredes, ele batia na filha e nos irmãos. Ele a estuprava desde os 8 anos, amarrando a mão dela com uma cinta para cometer o crime.”
A vítima, hoje com cerca de 12 anos, sofreu abusos contínuos por pelo menos quatro anos. O agressor também era responsável por maus-tratos físicos contra todos os filhos.
O delegado Ramiro Queiroz ressaltou que o abuso sexual infantojuvenil é um crime cometido “entre quatro paredes”, sem testemunhas, o que faz com que a vítima sofra calada.
“A gente precisa conscientizar a sociedade. A gente tem que observar nossas crianças. Se a criança muda de comportamento, se a conduta dela se altera, a gente precisa ficar preocupado.”
Ele reforçou que pais, professores e vizinhos devem estar atentos a sinais como isolamento, medo súbito de certas pessoas, mudanças bruscas de humor ou regressão de comportamento.
Operação Marco Zero
A Operação Marco Zero foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso com apoio da Diretoria Metropolitana, Diretorias Regionais de Cuiabá e Várzea Grande, Diretoria de Atividades Especiais, Cecor, além da DPCA de Recife (PE) e da GOI de Campo Grande (MS) para cumprimento simultâneo das ordens.
Os 18 mandados de prisão preventiva foram expedidos pela 14ª Vara Criminal, com parecer favorável da 27ª Promotoria Criminal. As ordens judiciais estão sendo cumpridas em Cuiabá, Pernambuco e Mato Grosso do Sul.
“Não entra na nossa cabeça uma conduta dessas de um pai – que tem a obrigação de proteger, de dar segurança para que essa criança se torne um adulto capaz, sem nenhum tipo de trauma. Agora, imagino o que se passava na cabeça dessa menina”, desabafou o delegado.
Denúncias
A Deddica reforça que denúncias de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes podem ser feitas anonimamente pelo Disque 100 (Direitos Humanos) ou diretamente na delegacia mais próxima. O silêncio, segundo o delegado, é o principal aliado do agressor.