
O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades na Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), deputado estadual Wilson Santos, soltou uma bomba nesta quarta-feira (04). Em entrevista à TV Assembleia, o parlamentar afirmou que as investigações avançam em meio a “coisas loucas”, incluindo a suspeita de que um servidor da área de TI da pasta teria tirado a própria vida no último mês de março — justamente após um ataque cibernético ao sistema da secretaria.
“Coincidentemente, logo após a Assembleia ter instalado a sua comissão de inquérito, houve a destruição desse material por hacker. Vou pedir uma perícia técnica com a presença da Polícia Federal nesse assunto. Destruíram arquivos importantíssimos”, declarou o deputado.
Segundo Wilson Santos, há ainda denúncias anônimas sobre a morte do servidor, que seria o responsável pela área de Tecnologia da Informação da SES. “Há também denúncias de que houve suicídio dentro da secretaria por parte de um servidor. As coisas vão se avolumando e fica cada vez mais claro porque o governo temia tanto essa CPI”, completou.
O deputado relembrou que a oposição levou três anos para conseguir apenas oito assinaturas e instalar a comissão, sempre enfrentando resistência do Palácio Paiaguás.
Ainda durante a entrevista, Wilson Santos adiantou a pauta da reunião da CPI desta quarta-feira à tarde: a oitiva de dois delegados de polícia que comandaram a chamada Operação Espelho. A investigação, segundo ele, mapeou uma organização criminosa formada por empresários e agentes públicos – alguns de alto escalão – que atuavam dentro da SES.
“Enquanto a população desesperada buscava uma UTI, um leito, uma consulta para salvar seus entes queridos, essa quadrilha saqueava os cofres do Estado”, disparou o deputado, elogiando o trabalho dos delegados.
O OUTRO LADO
Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) confirmou que sofreu um incidente cibernético em março de 2026, mas nega qualquer gravidade na perda de dados. Segundo a nota oficial:
“A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) esclarece que o incidente cibernético em sua infraestrutura tecnológica não comprometeu a base de dados da instituição e não causou prejuízos à continuidade dos serviços prestados à população.
Os dados impactados representam menos de 1 terabyte (TB) do volume total de informações armazenadas pela Secretaria.
O conteúdo afetado foi recuperado por meio dos mecanismos de contingência, redundância e recuperação existentes na infraestrutura tecnológica, permitindo o restabelecimento das informações necessárias para o funcionamento das atividades institucionais.
Assim que o incidente foi identificado, em março de 2026, a SES-MT registrou Boletim de Ocorrência junto à Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e Cibernéticos, com o objetivo de subsidiar as investigações e garantir a adoção das medidas legais cabíveis.
A Secretaria também realizou a comunicação à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), conforme previsto na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em razão da possibilidade de envolvimento de dados pessoais. O procedimento seguiu rigorosamente as exigências legais aplicáveis a esse tipo de ocorrência.
Desde a identificação do ataque, a SES-MT e a Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI) atuaram de forma integrada na contenção do incidente, na análise dos ambientes afetados, na recuperação dos sistemas e no reforço dos mecanismos de segurança da informação, minimizando os impactos operacionais.
A Secretaria reforça ainda que não houve qualquer pagamento relacionado à suposta exigência financeira atribuída aos responsáveis pelo ataque cibernético. A informação sobre eventual pagamento de resgate não procede.
Durante o processo de resposta ao incidente, equipes técnicas especializadas realizaram análises para identificar vulnerabilidades, vetores de ataque e possíveis fragilidades exploradas. As investigações e apurações técnicas seguem em andamento pelos órgãos competentes.
A SES-MT permanece colaborando integralmente com as autoridades competentes e adotando medidas contínuas para fortalecer a proteção de seus ambientes digitais e garantir a segurança das informações institucionais.”
Investigação
A CPI da Saúde foi criada com o objetivo de apurar possíveis irregularidades em contratos firmados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) entre os anos de 2019 e 2023, com foco especial no período da pandemia da Covid-19, incluindo desdobramentos da chamada Operação Espelho.