Uma mudança de última hora sacudiu os bastidores políticos de Mato Grosso. O candidato ao Governo do Estado pelo Partido Liberal (PL), senador Wellington Fagundes, alterou a composição da sua chapa majoritária e substituiu o empresário Marcelo Maluf (Novo) pelo médico Alencar Farina (PL) na vaga de vice-governador.
Com a alteração, aprovada por unanimidade na ata oficial da convenção registrada na Justiça Eleitoral, o PL passa a disputar o Palácio Paiaguás com uma “chapa pura”. A coligação majoritária, no entanto, mantém o apoio formal de MDB, Novo, PRD e Democracia Cristã.
A manobra ocorreu sem aviso prévio ao partido aliado. Apenas um dia antes, Maluf havia celebrado publicamente a aliança e sua indicação para a vice, afirmando que a coligação era uma certeza “prego batido e ponta virada”. A articulação previa fortalecer a candidatura na capital, Cuiabá, base eleitoral do empresário.
Após ser comunicado da decisão e ver a ata formalizada, Marcelo Maluf divulgou uma nota pública com duras críticas à condução política do senador e do PL. Veja nota completa:
“Política se faz com responsabilidade, compromisso, seriedade e, sobretudo, palavra. Infelizmente, o senador Wellington Fagundes e o Partido Liberal de Mato Grosso demonstraram enorme dificuldade em compreender o significado desses princípios – o que só contribui para apodrecer a boa política.
Aceitei o convite para integrar, como candidato a vice-governador, a chapa liderada pelo senador Wellington Fagundes. A decisão não foi fruto de uma conversa informal ou de uma possibilidade lançada ao acaso. Foi uma escolha política apresentada, construída e formalizada dentro do processo partidário, inclusive com a realização da convenção.
A partir dessa decisão, compromissos foram assumidos, pessoas foram mobilizadas, estratégias foram definidas e todo um projeto de campanha começou a ser estruturado. Fiz isso de boa-fé, acreditando na palavra empenhada e na seriedade de uma decisão tomada por quem pretende governar Mato Grosso.
Hoje fui comunicado pelo senador Wellington Fagundes de que outro nome será indicado para ocupar a vaga de vice. Não se trata apenas de uma mudança de candidatura. Trata-se da forma como a política é conduzida.
Quem pretende governar um Estado precisa, antes de tudo, demonstrar que sua palavra tem valor. Precisa respeitar compromissos, aliados e pessoas que aceitaram caminhar ao seu lado. Não é possível pedir confiança a mais de três milhões de mato-grossenses quando não se consegue honrar compromissos assumidos dentro da própria casa.
O que ocorreu comigo representa uma falta de respeito não apenas pessoal, mas política. Um projeto foi prejudicado, pessoas que acreditaram nele foram desconsideradas e compromissos formalmente construídos foram simplesmente descartados.
Não faço política dessa maneira e não aceitarei naturalizar esse tipo de comportamento. Mato Grosso merece uma política feita com seriedade, previsibilidade e respeito. Quem muda compromissos conforme as conveniências do momento precisa explicar à sociedade por que sua palavra de hoje deverá merecer confiança amanhã.
Saio deste episódio com a consciência tranquila. Cumpri rigorosamente aquilo que assumi. Outros terão de responder pelas escolhas que fizeram e pela maneira como decidiram fazê-las.”