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DURANTE DEBATE

Taques acusa Medeiros de falsificar ata e provocar mudança em suplência

Ex-senador afirma que adversário só chegou ao Senado após alteração de documento eleitoral; Medeiros nega fraude e acusa Taques de calúnia

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Durante debate realizado pelo G1 Mato Grosso, na tarde desta quinta-feira (3), o ex-governador Pedro Taques (PSB) e o deputado federal José Medeiros (PL), candidatos ao Senado por Mato Grosso, protagonizaram uma discussão sobre uma disputa envolvendo a ata que definiu a composição da chapa de Taques nas eleições de 2010.

Durante o confronto, Taques afirmou ser um dos poucos ex-senadores do país sem inquéritos policiais, ações penais ou processos por improbidade e acusou Medeiros de ter chegado ao Senado após uma suposta falsificação da ata que estabelecia a ordem dos suplentes.

“Diferente do Medeiros, que foi condenado por falsificar ata. Você só virou senador porque falsificou ata. Eu fui testemunha contra você em relação a isso. Você foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Porque, se não, você era segundo suplente. Você falsificou, está na decisão do TRE”, afirmou Taques.

Medeiros rebateu a acusação e negou ter falsificado o documento. Segundo ele, a definição de sua posição como primeiro suplente já havia sido feita pela chapa, e o problema teria ocorrido durante a assinatura da ata.

“Se alguém falsificou deliberadamente aquilo lá, não fui eu. Tenho orgulho de ter sido, e fui escolhido, primeiro suplente. Fui escolhido porque você queria alguém de ficha limpa. Graças a Deus, eu tenho a ficha limpa. O que me informaram é que você não estava ali para assinar a ata e houve erro de assinatura, não troca de suplentes. A chapa era sua, Pedro!”, declarou.

Na réplica, Taques voltou a afirmar que Paulo Fiúza era o primeiro suplente originalmente definido e que Medeiros foi condenado pelo TRE-MT em razão da fraude no documento.

“O primeiro suplente era o Fiúza. Eu depus sobre isso e você foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral. Você foi condenado porque, em todos os materiais, o Fiúza era primeiro suplente e você era o segundo. E, de repente, você se tornou o primeiro suplente. Eu depus sobre isso, dizendo exatamente o que estou dizendo aqui”, afirmou.

Medeiros, por sua vez, acusou Taques de calúnia e estelionato e ainda fez referência a uma suposta organização criminosa.

“Pedro, você agora acaba de incorrer em duas coisas: caluniador e estelionatário. Sabe por quê, Pedro? Em Rondonópolis, o seu discurso era ‘Medeiros, meu primeiro suplente’. Chegava em Sinop e eu tive notícias de que você chamava o Paulo Fiúza de primeiro suplente. Você tem que decidir que tipo de cidadão você é: se é um caluniador, um chefe de organização criminosa ou um estelionatário”, afirmou o deputado.

Montagem: Capital Notícia

Lembrando o caso da ata

A disputa citada no debate teve origem nas eleições de 2010, quando Pedro Taques foi eleito senador pela coligação “Mato Grosso Melhor Para Você”. A composição da suplência passou a ser questionada depois que diferentes versões de uma ata da convenção partidária apresentaram ordens distintas para os suplentes.

Segundo decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), a documentação e os materiais de campanha indicavam Paulo Fiúza como primeiro suplente e José Medeiros como segundo. Posteriormente, uma ata apresentada à Justiça Eleitoral colocou Medeiros como primeiro suplente e Fiúza como segundo. O tribunal considerou que essa segunda versão era fraudulenta e que a alteração beneficiou Medeiros.

O caso ganhou importância em 2014, quando Taques deixou o Senado para assumir o governo de Mato Grosso. Medeiros, então primeiro suplente conforme o registro eleitoral, assumiu a cadeira no Senado. Fiúza passou a questionar judicialmente a ordem da suplência.

Em 31 de julho de 2018, o TRE-MT decidiu, por unanimidade, pela cassação do mandato de Medeiros e determinou sua substituição por Paulo Fiúza, com base na fraude identificada na ata da convenção de 2010. A decisão apontou que a alteração favoreceu Medeiros, que acabou assumindo o mandato de senador após a eleição de Taques para o governo estadual.

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