Segundo Russi, antes da operação havia dúvidas sobre a viabilidade da comissão em razão do período eleitoral. Agora, ele entende que o contexto é diferente.
“Em havendo uma operação da Polícia Federal e havendo agentes públicos envolvidos no Estado de Mato Grosso, com certeza fortalece muito o debate. A Assembleia, que já tem seis ou sete assinaturas, deve encaminhar, sim, para o processo de CPI”, afirmou.
O requerimento já reúne seis assinaturas, mas ainda precisa alcançar o mínimo de nove parlamentares para que a Comissão Parlamentar de Inquérito seja oficialmente instalada.
A CPI pretende investigar denúncias de descontos considerados irregulares em contracheques de servidores públicos, aposentados e pensionistas, além da atuação de instituições financeiras, empresas intermediadoras e possíveis falhas na fiscalização dos contratos de crédito consignado.
Outro parlamentar que sinalizou apoio à comissão foi o deputado estadual Júlio Campos (União). Ele afirmou que nunca se recusou a assinar pedidos de CPI e garantiu que apoiará a iniciativa assim que for procurado.
“Se eu for procurado, eu assino na hora. Eu nunca neguei assinar CPI. Agora é concreto. A Polícia Federal já está envolvida, com ordem do Ministério Público e da Justiça Federal. A Assembleia tem que ter posição definida”, declarou.
Júlio Campos também afirmou que as investigações podem alcançar pessoas com posições de comando no esquema.“Com certeza vai chegar. Não é funcionário pequeno que faz isso. Tem que ter cabeça, tem que ter chefe, tem que ter autoridade”, disse.
Operação Fugazi
A Operação Fugazi foi deflagrada pela Polícia Federal para investigar um grupo econômico suspeito de lesar servidores públicos, aposentados e pensionistas de Mato Grosso por meio de contratos de cartão de crédito consignado que, segundo as investigações, funcionavam como empréstimos consignados com juros elevados e mecanismos que dificultavam a quitação das dívidas.
Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, além do bloqueio de bens dos investigados.
Com o avanço das investigações, a expectativa na Assembleia Legislativa é que novos deputados passem a apoiar o requerimento, permitindo a instalação da CPI para aprofundar as apurações sobre o caso.