O julgamento do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz, foi retomado na manhã desta quarta-feira (13), no Fórum da Comarca de Cuiabá. O réu responde por homicídio qualificado, com agravantes de motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
A sessão do Tribunal do Júri é presidida pelo juiz Marcos Faleiros da Silva, da Quarta Vara Criminal da Capital, e teve início na terça-feira (12), sendo suspensa no fim da noite após mais de dez horas de depoimentos e debates entre acusação e defesa.
O primeiro dia do júri foi marcado por momentos de tensão entre o promotor de Justiça Vinícius Gahyva e o advogado de defesa Cláudio Dalledone. Durante a sessão, o promotor acusou o defensor de tentar intimidar o magistrado responsável pelo caso, afirmando que Dalledone já havia provocado o afastamento da juíza Mônica Perri em etapa anterior do processo.
As discussões ocorreram durante intervenções da acusação em questionamentos feitos pela defesa às testemunhas. Dalledone reclamou diversas vezes da postura do Ministério Público e afirmou que estava sendo impedido de atuar plenamente no julgamento.
Ainda no primeiro dia, foram ouvidas testemunhas importantes, entre elas a ex-esposa do policial militar, Walkíria Filipaldi Corrêa, e o delegado André Eduardo Ribeiro, que era plantonista da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na época do crime.
A defesa de Mário Wilson sustenta que o investigador agiu em legítima defesa e dentro do estrito cumprimento do dever legal. Já o Ministério Público defende a tese de homicídio qualificado e afirma que o acusado se aproveitou de uma situação de vulnerabilidade da vítima para cometer o crime.
Relembre o caso
O crime ocorreu na madrugada de abril de 2023, em uma conveniência de posto de combustível nas proximidades da Praça 8 de Abril, em Cuiabá.
Segundo as investigações, Thiago Ruiz chegou ao local acompanhado de um amigo. Pouco tempo depois, Mário Wilson também chegou e foi apresentado ao policial militar. Imagens de câmeras de segurança mostram os dois conversando momentos antes do crime.
De acordo com o inquérito, em determinado momento Thiago teria mostrado a arma que carregava na cintura. Na sequência, o investigador civil pegou o revólver e efetuou disparos contra o PM, que morreu ainda no local.
A defesa afirma que houve luta corporal antes dos tiros, enquanto a acusação sustenta que o policial militar não teve chance de reação.
O julgamento é transmitido ao vivo pelo canal oficial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso no YouTube.