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A governança tornou-se uma exigência indispensável para as Organizações da Sociedade Civil. Mais do que atender a normas e manter documentos atualizados, governar bem significa estabelecer responsabilidades, profissionalizar processos, dar transparência às decisões e assegurar que a missão institucional possa continuar sendo cumprida ao longo do tempo.
A gerente de investimento social da Fundação AMAGGI, Aletéa Rufino, destaca que estruturas mais sólidas de gestão contribuem para ampliar o impacto das organizações da sociedade civil. “Planejamento, transparência e responsabilidades bem definidas fortalecem a confiança e as parcerias. Profissionalizar a gestão não significa perder a essência solidária, mas proteger a missão e criar condições para que o impacto social seja sustentável e duradouro”, afirma.
A Fundação Abrigo do Bom Jesus prepara-se para dar um novo passo em seu processo de profissionalização. Fundada em 1940, a instituição, que atualmente acolhe cerca de 100 pessoas idosas, vai instituir, pela primeira vez, um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). O projeto já foi concluído e apresentado à Diretoria Executiva e deverá passar pelas etapas internas de análise, aprovação e planejamento para sua implantação.
Em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) filantrópica, esse compromisso assume uma dimensão ainda maior, já que a entidade precisa conciliar recursos provenientes de parcerias, doações e contribuições com a responsabilidade de garantir atendimento integral e ininterrupto aos residentes.
Para a presidente da Fundação, Márcia Ferreira, esse trabalho exige planejamento, regras claras e políticas capazes de permanecer mesmo diante das mudanças de gestão. “A governança dentro de uma OSC é também um compromisso social. Quanto mais organizada, transparente e profissional for a instituição, maior será sua capacidade de conquistar a confiança da sociedade, estabelecer parcerias, captar recursos e transformar esses recursos em atendimento de qualidade para as pessoas idosas”, afirma.

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Plano vai além de uma tabela salarial
A elaboração do PCCS foi conduzida pela profissional de Recursos Humanos e especialista em Gestão de Pessoas, Thalissa Maria Coutinho Bezerra. Segundo ela, o plano vai além de uma tabela salarial e deverá organizar cargos, atribuições, requisitos profissionais e critérios transparentes para o desenvolvimento dos cerca de 90 colaboradores da instituição. “É uma ferramenta de gestão, valorização das pessoas e sustentabilidade da instituição, construída a partir de uma comunicação clara, com papéis e responsabilidades bem definidos, processos estabelecidos e lideranças preparadas”, explica.
Sustentabilidade financeira
Um dos principais desafios para a implantação do plano será conciliar a valorização da equipe com a realidade financeira da instituição. Para Thalissa, o PCCS contribui para tornar esse processo mais seguro. “A instituição precisa equilibrar a valorização dos seus profissionais com os recursos que possui. O PCCS permite criar critérios de desenvolvimento, reconhecimento e crescimento, oferecendo ao colaborador uma perspectiva de carreira e, à instituição, mais segurança para gerir suas pessoas”, declara.
Márcia ressalta que a implantação deverá ser gradual, considerando a legislação trabalhista, a situação financeira do Abrigo e a capacidade de manter os compromissos assumidos ao longo do tempo. “Estamos dando um passo histórico, mas também responsável. Não se trata de criar promessas que a Fundação não possa cumprir. Queremos construir uma política permanente, transparente e tecnicamente fundamentada, que reconheça nossos profissionais e possa ser mantida ao longo dos anos”, pontua.
Atuando como gestor da entidade desde 2023, o administrador de empresas Emerson Cássio avalia que o PCCS representa mais uma etapa no processo de profissionalização da Fundação e contribui para fortalecer a equipe responsável pelo atendimento às pessoas idosas acolhidas.
Acordo de Cooperação
Como parte das ações de desenvolvimento institucional, a Fundação Abrigo do Bom Jesus está formalizando um acordo de cooperação técnica com o Tribunal de Contas do Estado, por intermédio da Escola Superior de Contas. A parceria prevê orientação metodológica para a implementação do Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), além de capacitações, treinamentos, oficinas, palestras e cursos destinados aos funcionários e gestores da instituição.