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ELEIÇÕES 2026

“Essa velha política tá perdendo espaço”, diz Abilio ao avaliar resultado das urnas

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Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (06), o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, colocou o dedo na ferida ao analisar a virada de chave no cenário estadual após o último pleito. Para ele, o recado das urnas foi direto: a paciência com os grupos tradicionais acabou, abrindo caminho para uma renovação no jeito de governar. Ao comentar a situação da política regional, Abilio ponderou que “é muito difícil você decretar fim político de qualquer pessoa que seja” e ressaltou que “não cabe a mim fazer decretar fim político de ninguém”.

Contudo, cravou que o momento marca “uma pausa na carreira política, sim”, completando que “os resultados desse processo eleitoral demonstra que Mato Grosso não quer mais a família Riva, não quer mais a família Campos, não quer mais a família Botelho e não quer mais a família Pinheiro”. Essa mudança ficou evidenciada no saldo eleitoral. A família Riva ficou sem nenhum cargo público após Janaina Riva perder a disputa ao Senado e Jéssica Riva não conseguir vaga na Assembleia Legislativa.

A família Campos também ficou sem mandato com o fim da gestão de Júlio Campos e sem a candidatura de Jayme Campos ao governo. O cenário atingiu ainda Eduardo Botelho, fora da Assembleia após perder a Prefeitura de Cuiabá em 2024, além dos grupos de Emanuel Pinheiro e Zé Carlos do Pátio, cujos aliados saíram derrotados nas urnas.

Para exemplificar a perda de força dos clãs tradicionais, Abilio citou a votação de sua esposa, Samantha Iris, eleita deputada estadual como a mulher mais votada da disputa. O prefeito relembrou que “Júlio Campos teve 4.000 votos em Várzea Grande” enquanto “a Samantha teve 9.000 e pouco”, destacando que ela alcançou “o dobro do número de votos dele na própria terra”. Ele pontuou ainda situações nos bairros da capital, mencionando que “tinha um vereador aqui apoiando um candidato de Várzea Grande lá no Pedra 90” onde “o candidato teve 300 votos” e “a Samantha teve 1.400 votos”. Diante dessas comparações, Abilio enfatizou que “essa velha classe política ela tá perdendo o seu espaço”.

Na visão do gestor da capital, a demonstração dessa mudança fica clara quando o eleitor prefere a firmeza das propostas ao invés da retórica inflamada. Ele ressaltou que o eleitorado escolheu a segurança do trabalho do ex-governador Mauro Mendes e a transparência nas propostas, lembrando que no discurso direto é preciso pontuar que “isso é possível fazer, nós vamos fazer” e “isso não é possível fazer, nós não vamos fazer”, pois “o eleitor escolheu aquilo que é confiável” sabendo que “às vezes as promessas fáceis passam e a pessoa não cumpre”.

O novo cenário político do Estado desenha-se com outra cara. Enquanto os sobrenomes tradicionais perdem espaço, grupos emergentes se consolidam: o grupo de Abilio e Samantha ganha projeção na capital e no Legislativo, a família Mendes se fortalece com a eleição de Mauro Mendes ao Senado com mais de 1,2 milhão de votos e a ida de Virginia Mendes para a Câmara Federal, e em Rondonópolis a família de Cláudio Ferreira expande sua presença com a eleição de Alessandra Ferreira para a Assembleia Legislativa.

 

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