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PALESTRA EM MT

Cármen Lúcia alerta contra “cultura da desconfiança” nas instituições e defende urna eletrônica

Em palestra durante a Semana do Conhecimento da UFMT, ministra do STF e do TSE reforçou os limites do Poder Judiciário, criticou o avanço da miséria no país e defendeu a democracia

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A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, fez uma forte defesa das instituições republicanas e do sistema eleitoral brasileiro durante palestra proferida na Semana do Conhecimento da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) 2026. Com foco na estabilidade democrática e no respeito à Constituição de 1988, a magistrada alertou para os riscos de retóricas polarizadas que buscam deslegitimar as regras do jogo democrático, citando expressamente os ataques infundados à credibilidade das urnas eletrônicas.

“A urna não é de juiz, a urna é do povo brasileiro. Plantar a desconfiança é fácil. Tínhamos 97% de confiança e caímos para 73% em uma máquina que é mostrada, demonstrada e auditável o tempo todo para o povo brasileiro”, declarou a ministra.

Ao comentar o papel do Judiciário em momentos de acirramento político, a ministra buscou redefinir os limites da atuação de um magistrado diante das cobranças da sociedade e da advocacia. Segundo ela, juízes e ministros não podem agir como legisladores ou salvadores da pátria.

“Nem governantes, nem juízes, nem legisladores fazem milagre. Como eu sempre digo para os advogados quando vão despachar comigo: ‘Eu não faço milagre, eu faço Direito’. O que estiver na lei eu aplico; o que não estiver, eu não posso aplicar nem criar”, afirmou.

Cármen Lúcia ressaltou que a discordância das decisões judiciais faz parte da dinâmica democrática, mas ponderou que a insatisfação com um resultado não deve ser confundida com o desmantelamento da confiança no sistema. Ela lembrou que, mesmo com discursos críticos, o volume de processos no país demonstra que a população continua recorrendo ao Estado para solucionar conflitos:

“Nós temos cerca de 80 milhões de processos em curso. Considerando que cada processo tem pelo menos duas partes, são mais de 150 milhões de brasileiros em juízo. Se não confiassem, estariam no Judiciário?”, questionou.

A fala da ministra integra a programação da Semana do Conhecimento UFMT 2026, evento que reúne os principais trabalhos de pesquisa, extensão e saberes produzidos pela comunidade universitária. Entre os destaques da programação estão a XVII Mostra de Extensão da Graduação e a Mostra de Extensão da Pós-Graduação, realizadas no Teatro da UFMT, além do 34º Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica, que movimenta os campi de Cuiabá e Várzea Grande entre os dias 14 e 19 de outubro.

O evento é realizado de forma conjunta pela Pró-Reitoria de Pesquisa (PROPESQ), Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Vivência (PROCEV), Escritório de Inovação Tecnológica (EIT) e Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PROPG), contando com o apoio da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PROEG) e da Fundação Uniselva.

Veja a palestra completa:

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