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CASO VIVIANE

Advogada é sepultada quase 11 meses após morte ainda sem esclarecimento

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O corpo da advogada Viviane de Souza Fidelis, de 30 anos, foi sepultado na última quarta-feira (05), em Cuiabá, quase 11 meses após ter sido encontrada morta no apartamento onde morava, no bairro Bosque da Saúde. A cerimônia marcou o fim de uma espera dolorosa para a família, que desde setembro de 2025 tenta esclarecer as circunstâncias da morte.

Durante a despedida, o irmão da advogada, Júnior Fidelis, fez um pronunciamento emocionado e criticou a condução das investigações. Segundo ele, o tempo transcorrido e as condições do corpo impediram que a família abrisse o caixão para a última despedida. “Hoje, Viviane vai voltar à terra. Não poderemos abrir o caixão. O tempo, a corrupção, as falhas e as omissões institucionais também nos roubaram essa última despedida”, declarou.

Viviane foi encontrada morta na madrugada de 18 de setembro de 2025. O caso foi inicialmente tratado como morte autoprovocada, hipótese que é contestada pelos familiares. A família aponta inconsistências nos procedimentos periciais, como informações contraditórias em laudo, ausência do registro de uma tatuagem e fragilidades na descrição do local do óbito.

Em dezembro de 2025, uma nova necropsia foi realizada a pedido do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) após questionamentos sobre o primeiro exame. Mesmo com o novo procedimento, a Polícia Civil concluiu o inquérito entendendo não haver elementos que comprovassem a participação de terceiros. O ex-companheiro da vítima não foi considerado suspeito.

A família, no entanto, sustenta que os laudos não esclareceram de forma conclusiva a causa e a dinâmica da morte. No sepultamento, Júnior voltou a acusar a Politec, a Polícia Civil e o Ministério Público de falhas e omissões. As declarações representam a posição dos familiares e não comprovam, por si só, a prática de crimes pelos agentes ou instituições citadas.

“Viviane morreu em circunstâncias até hoje não esclarecidas. Depois de morta, foi vítima da Politec, da Polícia Civil e também do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, que, em vez de respostas, entregaram truculência, contradições, omissões criminosas e um arquivamento”, afirmou.

Em março deste ano, a Politec informou que todos os procedimentos requisitados haviam sido concluídos e que o corpo fora liberado logo após a necropsia, negando que permanecesse no Instituto Médico Legal. Posteriormente, foi informado que o corpo estava preservado em um crematório, à espera da definição sobre a destinação.

Apesar do sepultamento, a família afirma que não vai desistir de buscar a reabertura das apurações. “Hoje, nós enterramos Viviane, mas não a verdade, não a Justiça e não a responsabilidade. Viviane de Souza Fidelis, presente”, declarou Júnior.

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