O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunnini, endureceu o discurso contra invasões e ocupações irregulares de áreas públicas e privadas durante a repercussão da operação realizada nesta quinta-feira (27), no bairro Vale do Sonho, em Cuiabá. Ao defender a ação de demolição de construções instaladas em uma área de nascente e considerada de alto risco, Abilio fez uma referência direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao período eleitoral de 2022.
Segundo o prefeito, parte das pessoas teria interpretado o cenário político daquele período como uma espécie de autorização para ocupar propriedades. “Durante o período das eleições de 2022, muitas pessoas acharam que por proteção do Lula tinha autonomia, autoridade ou poderiam invadir muitas propriedades e invadiram”, afirmou.
Na sequência, Abilio reforçou que, sob sua gestão, a Prefeitura não dará respaldo a novas ocupações.“Porém, em 2024 eu sou prefeito de Cuiabá. Não invada”, declarou.
A fala ocorreu ao comentar a operação conduzida pela Secretaria de Ordem Pública em conjunto com forças de segurança. Conforme a Prefeitura, a ação teve como alvo construções irregulares erguidas em áreas de propriedade privada, áreas públicas e de proteção permanente.
De acordo com Abilio, as estruturas demolidas não eram utilizadas como moradia. Ele afirmou que a situação teria sido verificada por equipes da Assistência Social e da própria Secretaria de Ordem Pública antes da operação.“Essas construções não tinham morador. Foi certificado pela Assistente Social, pela Secretaria de Ordem Pública, que não havia moradores dentro dessas construções”, declarou.
A Prefeitura informou que aproximadamente oito estruturas foram demolidas no Vale do Sonho, entre construções de alvenaria, muros e obras inacabadas. O município sustenta que nenhuma família foi retirada de uma residência habitada.
A operação foi acompanhada pela Polícia Militar e pela concessionária de energia e, segundo a administração municipal, atende a uma determinação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) relacionada ao combate ao parcelamento ilegal do solo e à proteção de uma Área de Preservação Permanente (APP).
“Não invada”, reforça Abilio
Em seu posicionamento, o prefeito deixou claro que a administração municipal pretende manter uma postura de enfrentamento às novas ocupações.“A Prefeitura de Cuiabá não apoia e nem incentiva invasão de propriedade. Então, não invadam”, afirmou.
Abilio também disse que eventuais novas ocupações poderão resultar em ações articuladas entre Prefeitura, Ministério Público, Poder Judiciário e Polícia Militar.“Se invadir a propriedade durante esse período eleitoral, ou até depois dele, terás as ações da Prefeitura de Cuiabá no Poder Judiciário, Ministério Público e Polícia Militar. Não invada”, declarou.
O prefeito citou diferentes tipos de áreas que, segundo ele, serão alvo de fiscalização caso sejam ocupadas irregularmente.“Área pública, privada, área de proteção permanente, área de praça, qualquer equipamento público ou privado. Não invada”, completou.