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Os candidatos ao Senado Carlos Fávaro (PSD) e Margareth Buzetti (PP) divergiram sobre a proposta que discute o fim da escala de trabalho 6×1, em tramitação no Congresso Nacional. O tema foi debatido durante confronto entre os dois candidatos na Rádio Centro América, na manhã desta quinta-feira (10).
Fávaro se posicionou favoravelmente ao fim do modelo, enquanto Buzetti rejeitou a inclusão de uma jornada de trabalho na Constituição e defendeu que a definição da escala seja feita por meio de negociação entre trabalhadores e empregadores.
Buzetti afirmou ainda que o tema não deveria ser discutido em período eleitoral e defendeu que qualquer mudança seja precedida por um amplo debate com os setores diretamente afetados. Segundo a candidata, diferentes atividades já adotam a escala 5×2 e a legislação deve permitir que trabalhadores e empresas estabeleçam jornadas adequadas às suas respectivas realidades.
“O que eu discordo é colocar na Constituição jornada de trabalho. Jornada de trabalho jamais deve ir para a Constituição. Ela tem que ser um acordo livre entre patrão e empregado ou dentro da CLT e ser respeitado”, afirmou.
A candidata também defendeu maior autonomia para o trabalhador na definição da jornada e reforçou sua posição contrária à inclusão do tema na Constituição.
“Nós temos que dar a oportunidade do trabalhador escolher o seu tempo, o que quer fazer para que ele cuide da sua vida. […] Mas pôr na Constituição jornada de trabalho, eu sou expressamente contra”, completou.
Fávaro adotou posição diferente e declarou apoio direto ao fim da escala 6×1. Para o candidato, trabalhadores submetidos a seis dias consecutivos de expediente têm pouco tempo disponível para descanso, lazer e convivência familiar.
“Eu sou a favor do fim da escala 6×1. Nós não viemos ao mundo só para trabalhar”, declarou.
Na defesa da proposta, Fávaro citou compromissos familiares, atividades de lazer e questões religiosas para argumentar que o trabalhador precisa ter mais tempo disponível fora do ambiente profissional.
“Que dia você vai visitar os pais? Que dia o seu marido vai jogar futebol com os filhos? Vai se divertir, vai na igreja? Nós precisamos dar um ambiente de trabalho e de descanso favorável ao cidadão brasileiro”, disse.
Fávaro ponderou, no entanto, que determinadas atividades econômicas podem exigir regras específicas. Ele citou setores com alta demanda de mão de obra, como o transporte, além de pequenas empresas que possuem poucos funcionários.
Para o candidato, caberia ao Estado regulamentar a mudança de maneira a preservar a atividade econômica e, ao mesmo tempo, garantir melhores condições de trabalho e descanso.
“É óbvio que tem atividades econômicas que precisam de alguma alteração nessa escala 5×2 nova. […] Por isso, o papel do Estado na regulamentação é garantir o crescimento econômico sem atrapalhar a economia. Mas, em primeiro lugar, as pessoas”, afirmou.
Na réplica, Buzetti ressaltou que também é favorável à escala 5×2 e afirmou que sua própria empresa já adota o modelo. A candidata voltou a destacar que sua divergência está na forma como a mudança seria estabelecida.
“Eu também sou a favor, tanto que a nossa empresa faz a escala 5×2. Ela já cumpre a escala 5×2. Eu sou contra colocar na Constituição”, reforçou.
Fávaro encerrou o confronto fazendo um aceno aos trabalhadores e sugerindo que o eleitor avalie o posicionamento dos candidatos sobre o tema.
“É importante dizer que o eleitor procure saber de todos os candidatos quem defende o trabalhador, quem está ao lado de quem realmente trabalha no Brasil”, declarou.