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CASO MAIANA MARIANO

Delegado explica prisão de empresário 10 anos após condenação

Publicado em

Reprodução

 

O delegado titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá, Caio Albuquerque, explicou nesta terça-feira (26) os motivos que levaram à prisão do empresário Rogério da Silva Amorim ocorrer quase dez anos após sua condenação pelo assassinato da adolescente Maiana Mariano Vilela, de 16 anos.

Rogério foi condenado em outubro de 2016 a 20 anos e três meses de prisão por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Apesar da sentença, ele conseguiu recorrer em liberdade, possibilidade prevista na legislação vigente à época.

“Em 2016 ele é condenado. A pessoa tem o direito de recorrer. Ao tempo, se estivesse solto, tinha o direito de permanecer solto e recorrer. Isso era uma lei que vigia naquele período”, afirmou o delegado.

Segundo Caio Albuquerque, somente em novembro de 2025 ocorreu o trânsito em julgado do processo — etapa em que não existem mais possibilidades de recurso judicial. A partir disso, a Justiça expediu o mandado de prisão definitiva.

“Em novembro de 2025 vem a condenação definitiva, quando não cabe mais recurso. O mandado de prisão chega ao nosso conhecimento e começamos as diligências para localizar o condenado”, disse.

A prisão foi realizada pela DHPP na manhã desta terça-feira, em um condomínio de alto padrão em Cuiabá. O empresário foi abordado pelos policiais quando saía da residência em um veículo de luxo.

Crime aconteceu em 2011

Conforme as investigações, o assassinato ocorreu no fim de dezembro de 2011. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Rogério mantinha um relacionamento extraconjugal com a adolescente.

Ainda segundo o delegado, a denúncia aponta que a motivação do crime estaria relacionada a uma suposta extorsão praticada pela vítima contra o empresário.

“A vítima teria, em tese, extorquido o autor. Isso que eu estou dizendo é pela leitura da denúncia. Essa seria a motivação do homicídio”, explicou.

As investigações apontaram que Maiana foi atraída até uma propriedade rural sob o argumento de entregar dinheiro a um caseiro. No local, ela teria sido assassinada por asfixia com um lenço.

Depois do crime, o corpo foi ocultado na região da Ponte de Ferro, área que, segundo o delegado, era conhecida na época pelo abandono de cadáveres.

O desaparecimento passou a ser investigado inicialmente pelo núcleo de pessoas desaparecidas da Polícia Civil. Os restos mortais da adolescente foram encontrados apenas em maio de 2012.

Outros condenados

Além do empresário, outras pessoas também foram denunciadas e julgadas pelo crime. Um dos caseiros envolvidos foi condenado por homicídio e ocultação de cadáver, recebendo pena superior a 18 anos de prisão. Outro acusado foi condenado apenas pela ocultação do corpo.

Já a então companheira do empresário, que também havia sido denunciada pelo Ministério Público, não aparece entre os condenados no julgamento realizado em 2016.

“A apontada companheira não figura no rol de condenados. Não sabemos se por ausência de provas ou por algum desdobramento processual em paralelo”, afirmou o delegado.

Com a prisão desta terça-feira, Rogério deverá iniciar o cumprimento definitivo da pena determinada pela Justiça.

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