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Cuiabá precisa pensar em 2050

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As cidades que mais admiramos no mundo têm uma característica em comum: elas foram planejadas para o futuro. Nenhuma delas se tornou referência porque resolveu apenas os problemas do presente. Elas cresceram porque houve líderes capazes de pensar além do próximo mandato, da próxima eleição e das próximas manchetes.

A pergunta que Cuiabá precisa começar a fazer não é apenas como estará a cidade no ano que vem. A pergunta mais importante é outra: como queremos que Cuiabá seja em 2050?

Essa reflexão deveria orientar todas as decisões tomadas hoje. Como será nossa mobilidade quando a população for ainda maior? Onde estarão os novos parques e áreas de lazer? O que teremos feito para recuperar e preservar o Rio Cuiabá? Para que direção a cidade crescerá? Estaremos ocupando o território com planejamento ou continuaremos expandindo a cidade de forma desordenada?

Infelizmente, o debate público ainda costuma ser dominado pelas urgências do cotidiano. Discutimos a operação tapa-buracos, a obra da semana, o congestionamento do dia ou a polêmica do momento. São assuntos importantes, mas insuficientes para definir o futuro de uma capital que já ultrapassa 700 mil habitantes e continua crescendo.

Pensar em 2050 significa compreender que algumas decisões levam décadas para produzir resultados. Quem planta uma árvore hoje talvez nunca desfrute plenamente de sua sombra, mas alguém o fará no futuro. O mesmo acontece com a recuperação de um rio, a implantação de parques urbanos, a preservação do patrimônio histórico, a construção de corredores de transporte ou a revisão do planejamento urbano. São escolhas que exigem continuidade e visão de longo prazo.

O Rio Cuiabá talvez seja o maior exemplo disso. Durante décadas, convivemos com a degradação de um patrimônio natural que ajudou a dar origem à própria cidade. Recuperar suas margens, ampliar a proteção ambiental e devolvê-lo ao convívio da população não é um projeto para um mandato. É um projeto para uma geração.

O mesmo vale para as áreas verdes. As cidades mais agradáveis não são aquelas que possuem apenas grandes avenidas, mas aquelas que oferecem parques, praças arborizadas e espaços públicos onde as famílias possam caminhar, praticar esportes e conviver. Cuiabá pode crescer sem abrir mão da qualidade de vida, desde que o planejamento caminhe ao lado do desenvolvimento.

Como contador e empresário, aprendi que nenhuma organização prospera sem planejamento estratégico. Empresas que vivem apenas apagando incêndios dificilmente constroem um futuro sólido. Com as cidades acontece exatamente a mesma coisa. Administrar é resolver os problemas do presente, mas governar é preparar o futuro.

Por isso, talvez a pergunta mais importante que deveríamos fazer aos nossos gestores seja muito simples: qual é o projeto de cidade para 2050? Não se trata de prometer obras específicas, mas de apresentar uma visão clara sobre mobilidade, habitação, meio ambiente, desenvolvimento econômico, preservação histórica e qualidade de vida.

As gerações que nos antecederam construíram a Cuiabá que recebemos. Agora cabe à nossa geração decidir qual cidade entregaremos aos nossos filhos e netos. O verdadeiro legado de uma administração pública não está apenas nas obras que inaugura, mas na direção que escolhe para a cidade.

Se quisermos uma Cuiabá mais organizada, mais verde, mais próspera e mais humana, precisamos começar a planejá-la desde agora. Porque o futuro não chega de repente. Ele começa a ser construído todos os dias, nas decisões que tomamos hoje.

RODRIGO ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.

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