O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) contestou, durante a sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, nessa quinta-feira (9), a declaração do governador e candidato a reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) de que o pagamento da RGA acumulada aos servidores poderia custar cerca de R$ 4 bilhões por ano aos cofres do Estado.
Da tribuna, Lúdio afirmou que o valor apresentado pelo governador está equivocado e defendeu que a recomposição das perdas salariais seja feita de forma gradual. Segundo o deputado, os servidores acumulam quase 20% de perdas inflacionárias nos últimos sete anos.
Lúdio citou dados da receita corrente líquida de Mato Grosso, que teria chegado a R$ 38 bilhões em 2025, e afirmou que a despesa com pessoal representou 37,78% da receita corrente líquida no período.
“Não tem que ser pago necessariamente de uma vez”, disse o deputado, ao defender uma recomposição adicional de 4% a 5% ao ano, além da RGA, para reduzir gradualmente as perdas acumuladas. Segundo ele, o impacto dessa medida no orçamento de 2026 seria de aproximadamente R$ 700 milhões.
A declaração é uma resposta direta à fala de Pivetta durante sabatina com representantes do setor produtivo, em Cuiabá. Na ocasião, o governador afirmou que o pagamento da RGA reivindicada por adversários poderia consumir cerca de R$ 4 bilhões por ano, valor próximo à capacidade de investimento prevista pelo Estado para 2027.
Pivetta também defendeu uma política salarial que priorize servidores com menores remunerações e alertou que o próximo governo teria de escolher entre ampliar investimentos ou elevar os gastos com a folha.
Na Assembleia, Lúdio acusou o governador de usar números incorretos para tratar da política salarial e afirmou que a população não deve ser colocada contra os servidores públicos. O deputado ainda cobrou que Pivetta considere os dados dos relatórios oficiais do Estado ao discutir o impacto da folha de pagamento.
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