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O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT), Tião da Zaeli, defendeu que o Senado não avance, neste momento, com a proposta que prevê mudanças na jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. Durante entrevista concedida nesta quarta-feira (10) ao Jornal da Capital, ele afirmou que a discussão precisa ser feita com mais profundidade, considerando as diferentes realidades dos setores e os impactos tanto para empresas quanto para trabalhadores.
Segundo Tião, a escala 5×2 já existe na prática em diversos segmentos. Ele citou como exemplos o governo, instituições financeiras e o Judiciário, que, de acordo com ele, não mantêm expediente aos sábados. Na avaliação do presidente da Fecomércio-MT, cerca de 30% dos trabalhadores já estariam inseridos nesse modelo, embora reconheça que não há uma pesquisa para confirmar o percentual.
Por outro lado, Tião destacou que atividades consideradas essenciais precisam manter o funcionamento durante os sete dias da semana. É o caso, segundo ele, de supermercados, farmácias e serviços de saúde, que trabalham com escalas alternadas para garantir o atendimento à população. Os shopping centers também estão entre os segmentos que possuem funcionamento contínuo.
Para Tião, justamente por existirem diferentes características entre as atividades, não seria adequado estabelecer uma mudança geral sem uma discussão mais ampla. Ele classificou a proposta como uma “medida eleitoreira” e afirmou que o momento não seria oportuno para uma alteração desse porte.
“É uma medida afoita, apressada, não foi chamado todos os agentes envolvidos, as federações, os sindicatos, para discutir”, afirmou.
O presidente da Fecomércio-MT explicou que, atualmente, a jornada de trabalho já é discutida por meio de convenções coletivas entre sindicatos dos trabalhadores e patronais. No comércio e na indústria, cada entidade representa um determinado ramo ou segmento e participa das negociações relacionadas às condições de trabalho. Somente no comércio de Mato Grosso, segundo Tião, existem 16 sindicatos que representam diferentes segmentos da atividade comercial.
“Então isso já se dá na prática e não tem interferência do governo”, declarou.
Tião ressaltou que a Fecomércio-MT não é contra a discussão sobre mudanças na jornada, mas defende que o tema seja analisado com estudos e dados que permitam avaliar os impactos da medida.
“Nós não somos contra a escala, nós queremos discutir com mais profundidade, com mais embasamento em pesquisa e com todo respeito ao trabalhador e ao empresário”, disse.
Para ele, o objetivo deve ser encontrar um modelo que consiga atender tanto aos trabalhadores quanto às empresas. Tião destacou que os dois lados são indispensáveis para o funcionamento da atividade econômica.
“Não existe empresa sem empregado e não existe empresa sem o empregador”, afirmou.
Por fim, o presidente da Fecomércio-MT defendeu que, caso o governo decida participar da definição das regras, a discussão seja feita com a presença dos representantes dos trabalhadores e dos empresários.
“É pertinente as duas partes sentarem junto com o representante do governo. Já que o governo quer interferir numa situação que eu não vejo necessidade, mas já que o governo tem esse expediente de buscar essa interferência, que faça de maneira com muita cautela e ouvindo as duas partes”, concluiu.