Em uma sequência de 4 stories publicados nas redes sociais, Caroline Fernandes, filha mais velha de Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, fez um desabafo contundente sobre o andamento do processo que apura o assassinato da mãe.
Gleici foi morta com 21 facadas pelo companheiro, Daniel Bennemann Frasson, no dia 24 de junho de 2025, em Lucas do Rio Verde. A filha mais nova do casal, de 7 anos na época, também foi atacada com 8 facadas e sobreviveu.
A família atua como assistente de acusação no processo e contesta a tese da defesa de que o crime teria ocorrido durante um surto psicótico.
Nos textos, Caroline lista uma série de atitudes do acusado nos 40 minutos que antecederam o crime que, segundo ela, demonstrariam capacidade de compreensão e planejamento: “Se alguém comete um crime e alega insanidade mental, que não tinha ‘capacidade para compreender o que fazia no momento’, mas nos 40 minutos anteriores: Confere o corredor para ver se as vítimas seguem dormindo; Escolhe a arma do crime; Lembra da existência de uma câmera de segurança e mexe nela na tentativa de desligá-la; Anda em círculos tomando coragem.”
Em outro trecho, ela descreve a dinâmica do ataque: “Se após assassinar uma das vítimas (a cônjuge), sai da cena e retorna para atacar a segunda (a própria filha). Senta na cama, acorda-a, pede desculpas, abraça e defere 4 facadas nas costas e outras 4 no peito. E em seguida vai direto onde deixou o telefone, desbloqueia e manda mensagem para o irmão.”
Caroline ainda questiona a alegação de amnésia apresentada dias depois do crime, após ele ter detalhado inicialmente como tudo aconteceu, e levanta suspeita sobre uma conversa que teria ocorrido 2 dias antes do feminicídio:”Se essa pessoa, inclusive, conversa com a irmã 2 dias antes do crime e ela, 1 hora após essa conversa, pede para esconder as facas de casa??? Esse pressentimento ruim para mim tem outro nome…”
Laudo contestado e vídeos inéditos
O ponto central da disputa judicial é a condição mental de Daniel. O primeiro laudo da perícia oficial apontou inimputabilidade – ou seja, que ele não teria capacidade de entender o caráter ilícito do ato. O Ministério Público contestou o documento por supostas falhas metodológicas.
Um segundo laudo, concluído em junho de 2026, manteve o diagnóstico de esquizofrenia e transtorno bipolar, reforçando a tese de inimputabilidade. O documento ainda será analisado pela Justiça. Se acolhido, pode levar à absolvição com imposição de medida de segurança, que é a internação psiquiátrica, em vez de prisão.
Para rebater essa tese, a família divulgou imagens inéditas de câmeras de segurança. Segundo eles, as gravações mostram discussões prévias por motivos financeiros, ameaças feitas pelo acusado e, na manhã do crime, o momento em que ele pega a faca e ataca Gleici e a criança, que teria gritado “pai, pai” durante a agressão.
Crítica ao gasto público e disputa por bens
No último story, Caroline criticou duramente o uso de verba pública para o tratamento do acusado em uma unidade particular.
“Dinheiro de cofre público sendo usado para bancar colônia de férias de criminoso é, no mínimo, piada de mau gosto. Mais de R$200.000,00 do Estado gastos com tratamento de alguém com uma esquizofrenia tanto quanto seletiva? Se no hospital público não há vagas, resta 1 alternativa: trate no presídio assim como todos os outros detentos. Ou esse é especial?”
Segundo a família, o valor já gasto pelo Estado com a internação ultrapassa R$ 200 mil. Outro ponto levantado pelo advogado da família é a contradição entre a alegada incapacidade mental e o pedido feito por familiares do réu para que ele tenha direito à metade dos bens deixados por Gleici. O caso segue aguardando a decisão judicial sobre o laudo psiquiátrico e a definição sobre o futuro do processo.