O senador Wellington Fagundes afirmou ter recebido relatos de prefeitos de Mato Grosso que estariam sofrendo pressão política para declarar apoio à candidatura do governador Otaviano Pivetta à reeleição. Segundo o senador, alguns gestores municipais teriam sido alertados de que convênios firmados com o Governo do Estado poderiam não ser pagos caso não aderissem ao projeto político do governador.
A declaração foi feita ao comentar o crescimento da lista de prefeitos que têm anunciado apoio a Pivetta. Nas últimas semanas, seis prefeitos filiados ao PL declararam apoio ao governador e, segundo aliados, 133 dos 142 prefeitos de Mato Grosso já estariam ao lado da candidatura à reeleição.
Para Wellington, no entanto, parte desse apoio não representa necessariamente uma adesão espontânea.“Tenho recebido muitos prefeitos que me falam: ‘Você me ajudou, o senador Jayme Campos ajudou muito o município, mas nós assinamos convênios e estão dizendo que, se não apoiarmos, os convênios não serão pagos’”, declarou.
O senador também questionou o volume de convênios firmados no último ano e afirmou que parte dos recursos ainda estaria pendente de pagamento.“Isso tem que ser visto. Tem prefeito que foi ao meu gabinete, gravou agradecendo e depois disse: ‘Recebi pressão, vou ter que apoiá-lo, mas é da boca para fora’”, afirmou.
Wellington usou ainda as pesquisas eleitorais para contestar a força política demonstrada pelo governador com o apoio de mais de 130 prefeitos. Na avaliação do senador, se a maioria dos gestores municipais realmente tivesse influência direta sobre o eleitorado, o cenário das intenções de voto seria diferente.“As pesquisas estão muito claras. Como a grande maioria dos prefeitos está apoiando e isso não consegue crescer nas pesquisas? Alguma coisa deve estar acontecendo”, questionou.
Segundo Wellington, o eleitor não necessariamente segue a orientação política dos prefeitos e tem cada vez mais autonomia na hora de escolher seus candidatos.“O eleitor hoje fala: ‘Não é o grandão que vem mandar em mim’. Meu voto é secreto, meu voto é pessoal. As pessoas estão muito bem informadas”, disse.
Durante a entrevista, o senador também reafirmou sua fidelidade partidária e defendeu a união das forças políticas que integram sua aliança para as eleições. Wellington citou nomes que pretende apoiar, entre eles Flávio Bolsonaro para a Presidência da República, José Medeiros e Janaina Riva para o Senado, além dos candidatos aos cargos de deputado federal e estadual da coligação.