A composição da chapa do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) para as eleições de 2026 entrou no radar da Justiça Eleitoral após o Ministério Público Eleitoral (MPE) apontar uma possível irregularidade na reunião que alterou a lista de candidatos da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.
O questionamento pode atingir diretamente a permanência de Gisela Simona (União) como candidata a vice-governadora. Ela foi escolhida para ocupar a vaga depois que o deputado federal Fábio Garcia (União) desistiu da candidatura à vice e decidiu retornar à disputa pela Câmara dos Deputados.
O problema apontado pelo MPE está relacionado ao quórum da reunião que promoveu as mudanças. Segundo a manifestação do Ministério Público, a direção estadual da federação possui 11 integrantes, mas apenas quatro participaram da reunião que deliberou sobre as substituições. O estatuto, entretanto, prevê maioria absoluta para esse tipo de decisão, o que corresponderia a pelo menos seis votos.
Na convenção realizada em 4 de agosto, Gisela Simona e Ednei Blasius haviam sido escolhidos para disputar vagas de deputado federal. Com a mudança posterior, Gisela deixou a chapa proporcional para assumir a vaga de vice de Pivetta, enquanto Ednei abriu espaço para Fábio Garcia retornar à disputa pela Câmara.

Reprodução
A vaga deixada por Gisela passou a ser ocupada por Sandy de Paula Alves Mainardes, também do União Brasil. A sequência de mudanças foi registrada em ata e envolveu alterações tanto na chapa proporcional quanto na majoritária.
Diante da possível irregularidade, o MPE deu três dias para que a Federação União Progressista esclareça a situação à Justiça Eleitoral. A entidade poderá comprovar que a decisão observou as regras previstas no estatuto ou realizar uma nova deliberação, desta vez com o quórum necessário, para ratificar as alterações.
Caso a federação não consiga regularizar a situação, a validade das substituições poderá ser questionada no processo eleitoral. O MPE apontou, inclusive, risco de nulidade dos atos praticados sem o quórum exigido.
A possível irregularidade não significa que Gisela será automaticamente retirada da condição de vice de Pivetta. Da mesma forma, também não há, neste momento, uma determinação para que ela volte à disputa por uma vaga na Câmara.
O ponto central é que Gisela e Ednei foram originalmente homologados como candidatos a deputado federal na convenção. A alteração posterior, que retirou os dois da disputa proporcional e abriu espaço para Fábio Garcia e Sandy de Paula, é justamente o ato colocado sob questionamento pelo MPE.
Assim, caso a mudança não seja validada ou regularizada, a Justiça Eleitoral poderá ter que analisar os efeitos sobre a composição apresentada pela federação e sobre os atos posteriores que dependeram dessa alteração.
A situação cria, portanto, um possível efeito dominó na chapa de Pivetta, já que a saída de Fábio Garcia da vice desencadeou uma série de mudanças: Garcia voltou à disputa pela Câmara, Ednei perdeu espaço na chapa proporcional, Gisela passou a ser cotada para a vice e Sandy assumiu a vaga deixada por ela.
Por enquanto, Gisela permanece indicada como vice de Pivetta, mas sua situação dependerá da regularização da ata ou da decisão da Justiça Eleitoral sobre a validade das alterações.