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CÂMARA DE CUIABÁ

“Abílio, se abstenha um pouco”: Ranalli expõe incômodo da base

A declaração do vereador Rafael Ranalli (PL) expõe os bastidores inflamados da disputa pela Mesa Diretora

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A temperatura política na Câmara Municipal de Cuiabá subiu significativamente nesta quinta-feira (16). Em entrevista exclusiva, o vereador Rafael Ranalli (PL) não poupou críticas à postura do prefeito Abílio Brunini na articulação para a eleição da nova Mesa Diretora. Aliado da base governista, Ranalli quebrou o tom de blindagem e revelou ter cobrado publicamente o chefe do Executivo para que recue na agressividade das negociações.

O parlamentar revelou o teor das cobranças internas: “Nas reuniões que a gente tem da base com o prefeito, eu falei: ‘Abílio, se abstenha um pouco, tá muito descarada essa pressão em cima’”. Ranalli admitiu que alguns colegas de parlamento se sentiram constrangidos com a movimentação do Palácio Alencastro para emplacar a chapa governista. “Aqui ninguém é menino de achar que o Executivo, em todas as instâncias, tenta influir no Legislativo. Isso é fato. Quer ter a maioria para aprovar os seus projetos futuros, isso é natural. Porém, realmente, aqui, nesse caso específico, eu mesmo já fui crítico dessa interferência muito gritante. Eu acho que aqui os vereadores se sentiram constrangidos”, completou, definindo a participação da gestão municipal como “muito incisiva”.

Essa tensão de bastidores ganhou um novo capítulo após a decisão do desembargador Mário Roberto Kono de Oliveira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que suspendeu liminarmente a votação do Projeto de Resolução nº 31.173/2026, focado em alterar o Regimento Interno da Câmara. A ação judicial foi movida pelo vereador Marcus Brito Júnior, que contesta a exigência atual de quórum qualificado de dois terços, equivalente a 18 votos, para aprovar mudanças regimentais.

Para Ranalli, o freio de mão puxado pela Justiça dá um fôlego aos parlamentares. “Eu acho que sim, dá um respiro”, avaliou, ponderando sobre o ritmo do processo: “É ruim aqui pro Parlamento, porque mais essa morosidade, mais uma vez. Porém, para ter uma definição decisiva, desculpa a redundância, eu acho que vale a pena, então, a gente esperar. Tomara que julguem rápido esse mérito e que, se não votar hoje, que a gente vote nas primeiras semanas, assim que voltar o recesso, daqui duas semanas”. O vereador confessou ainda o ceticismo do grupo governista em alcançar a meta atual: “Acho que dificilmente a gente alcança os 18 votos, né”.

Longe de pacificar o ambiente, o adiamento da votação deve intensificar a guerra de bastidores nas próximas duas semanas. Na avaliação de Ranalli, o tempo extra não vai atrapalhar as negociações. “Eu acredito que já está definido, o pessoal tem mais tempo. Eu acredito que não. Acho que vai valer, sim, a pena esse tempo para cada lado procurar mais apoio”, pontuou. O parlamentar finalizou destacando que a insistência do Executivo tem gerado fissuras internas visíveis: “A gente vê essa rachadura que tá tendo entre Prefeitura, a partir do momento que pressiona o lado oposto para tentar conseguir apoio para o projeto da Paula. Mas acho que, em mais uns dias, poucas peças aí podem movimentar”.

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