
A Polícia Civil investiga a morte de uma menina de 3 anos, ocorrida na última semana em Primavera do Leste. O principal suspeito é o padrasto da criança, Wanderson Cândido da Silva, de 24 anos, que foi preso em flagrante. De acordo com o delegado Honório Gonçalves, a criança deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) já sem vida, e os médicos identificaram sinais de violência.
“Os médicos analisaram e viram indícios de prática de violência. A Polícia Civil foi acionada, e o corpo encaminhado ao IML. O legista apontou cortes nas partes íntimas, compatíveis com violência sexual recente”, afirmou o delegado em entrevista ao programa Cadeia Neles, da TV Vila Real.
Ainda segundo o delegado, a mãe da criança havia saído para trabalhar por volta das 4h30 da manhã, deixando a menina sob os cuidados do padrasto. Apenas ele e a criança estavam na residência no momento em que ela começou a passar mal.
De acordo com as investigações, foi o próprio padrasto quem ligou para a mãe da menina, por volta das 10h, dizendo que a criança não acordava. Ele relatou ter jogado água no rosto dela para tentar reanimá-la, mas não chamou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) nem levou a menina ao hospital.
“Ele não adotou nenhuma conduta. Não pegou a criança no colo, não ligou para o Samu. Simplesmente deixou a criança do jeito que estava e esperou a mãe chegar com um veículo para levá-la à UPA”, detalhou o delegado.
A mãe chegou a ir até a delegacia junto com o suspeito, que inicialmente fingiu comoção e chegou a chorar durante o registro da ocorrência. Após a confirmação do laudo pericial, os policiais foram até a residência dele e efetuaram a prisão.
O delegado revelou que o padrasto tinha passagem pela polícia por tráfico de drogas e organização criminosa, tendo sido preso em 2022. Ele deixou a cadeia há cerca de dois meses. A mãe da menina teria iniciado o relacionamento com ele ainda durante o período em que ele estava preso.
Além disso, a investigação teve acesso a um histórico do Conselho Tutelar: no ano passado, uma denúncia anônima apontava possível maus-tratos contra a criança. A mãe teria sido notificada, mas não deu continuidade ao acompanhamento exigido.
“Há indícios de que a criança já sofria maus-tratos, com a conivência da mãe. O Conselho Tutelar notificou a mãe, mas ela não retornou. Vamos apurar isso no inquérito”, completou Gonçalves.
A vítima tinha uma irmã de 7 anos, que também residia no mesmo imóvel. Segundo a polícia, a menina mais velha foi entregue ao pai biológico, que mora na cidade de Ponto Verde.
A perícia foi realizada na residência onde a família vivia, e materiais foram coletados para ajudar a esclarecer as circunstâncias da morte e a possível prática de maus-tratos.
O inquérito policial segue em andamento. O delegado aguarda laudos complementares do Instituto Médico Legal (IML) e da perícia criminal. A mãe da criança também poderá ser investigada por possível omissão nos cuidados com a filha.
“Vamos verificar se ela deixou de adotar condutas necessárias para proteger a criança. O Ministério Público deve acompanhar o caso”, afirmou o delegado.
O suspeito permanece preso à disposição da Justiça. O nome da criança e da mãe não foram divulgados para preservação da identidade da vítima.