
Da Assessoria
Com livro recém lançado, o cineasta e escritor cuiabano, Wuldson Marcelo, aborda em sua mais nova obra questões raciais por meio de minicontos que são divididos em três partes. Intitulado “Se algo tenha fim, não se cale”, o livro retrata vivências de pessoas pretas que vivem em Cuiabá sob perspectivas que vão além das dores do racismo. As ilustrações são da artista itinerante Lua Brandão.
O autor conta que a ideia do livro nasceu após ver uma indagação nas redes sociais de um homem questionando se escritores negros são capazes de escrever histórias para além da temática racial. “Ninguém contesta autores vinculados a uma tradição judaica ou de origem italiana que escrevem títulos e mais títulos sobre sua família, imigração ou pertencimento”, aponta.
“Os personagens vivem questões relacionadas à negritude. Por isso, decidi escrever uma obra em que identificar a cor da pele tem relevância, já que sempre optei por deixar para o leitor essa compreensão a partir das vivências das personagens. Eu trago no livro a perspectiva do que é ser negro não só no Brasil, mas também no contexto desse mundo globalizado, pois são questões que nos aproximam de outras populações negras”, disse.
Para além das dores que o racismo aflige à população preta, Wuldson afirma que também há beleza no cotidiano de pessoas racializadas e, por isso, quis deixar registrado nos contos as construções de afetividade desses personagens.
“Não queria ficar preso nas dores que o racismo nos leva a sentir. Então, quis escrever algo bonito, mesmo em meio à violência. Tem um texto que fala sobre um pai que tem uma filha trans. Esse pai sempre a chamava pelo nome morto. Um dia, acontece um incidente que envolve violência e, para defendê-la dos ataques transfóbicos, esse pai defende a filha, chamando-a pelo nome correto. São esses detalhes que tornam a vida bonita”, disse.
O livro “Se quer que algo tenha fim, não se cale” teve fomento do edital complementar Estevão de Mendonça (nº 01/2022), com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (SECEL), apoio do Museu da Imagem e Som de Cuiabá (MISC) e a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer de Cuiabá.
A obra está disponível para venda em todo país.
Sinopse da Obra
“Se quer que algo tenha fim, não se cale” é um livro de minicontos que trata da vivência de pessoas negras em Cuiabá e dialoga com a experiência de ser negro em um mundo globalizado que opera sob o racismo institucional, estrutural e recreativo. Os minicontos vão além de denunciar o sofrimento causado pelo preconceito racial, trazendo histórias sobre amor, religião e relações interpessoais. “Se quer que algo tenha fim, não se cale” é dividido em três partes e conta com ilustrações de Lua Brandão.

Da Assessoria
Conheça Wuldson Marcelo
Wuldson Marcelo. Mestre em Estudos de Cultura Contemporânea (UFMT) e graduado em Filosofia (UFMT).
É escritor, continuísta, realizador audiovisual, roteirista e editor da revista digital Ruído Manifesto. Integrante do Aquilombamento Audiovisual Quariterê desde a sua fundação, em 2017, é um dos curadores da Mostra de Cinema Negro de Mato Grosso. Além disso, faz parte do Coletivo Miraluz Films.
Autor dos livros As luzes que atravessam o pomar e outros contos (Editora Carlini & Caniato, Cuiabá, 2018), Obscuro-shi – Contos e desencontros em qualquer cidade (Editora Carlini & Caniato, Cuiabá, 2016) e Subterfúgios Urbanos (Editora Multifoco, Rio de Janeiro, 2013).
Conheça Lua Brandão
Lua Brandão é uma artista cuiabana e formada em Publicidade e Propaganda pela UFMT. Em 2018 ilustrou o seu primeiro livro com o seu personagem autoral, Boneco de Osso, para o autor Wuldson Marcelo. Em 2021 ilustrou o livro Antologia de Contos e Poemas | Prêmio Rodivaldo Ribeiro de Literatura. Atualmente a artista trabalha com sua marca autoral e tem seu ateliê dentro de uma Kombi que viaja o Brasil.
Atualmente a artista trabalha com sua marca autoral e tem seu ateliê dentro de uma Kombi que viaja o Brasil.
Fonte: Grazi Godwin| Da Assessoria