
Em uma resposta ácida e pontual, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (PSB), usou a precária situação da infraestrutura viária de Cuiabá para rebater as acusações do prefeito Abilio Brunini (PL). Ao ser questionado sobre a fala do chefe do Executivo municipal, que acusou os deputados de terem “surrupiado” o território da Capital, Russi disparou:
“Talvez ele não esteja passando por lá, em virtude de uma série de buracos que tem na via até aquele local. Mas o hospital continua no mesmo lugar. Só mudou o CEP.”
A declaração foi dada nesta terça-feira (14) e transforma o debate sobre os limites territoriais entre Cuiabá e Santo Antônio do Leverger em um novo capítulo da queda de braço entre o Legislativo estadual e a Prefeitura de Cuiabá.
Tudo começou quando o prefeito Abilio Brunini, em entrevista ao MidiaNews, classificou como “surrupio” a aprovação do projeto que retirou da Capital áreas como o Morro de Santo Antônio e o terreno do Hospital Universitário Júlio Müller, anexando-as a Santo Antônio do Leverger.
“E quando eles tomam consciência de que fizeram isso, e não fazem nada para mudar… Estão esperando o quê? Que eu suspenda todas as licenças, alvarás, a documentação?”, ameaçou Abilio.
Longe de demonstrar recuo, Max Russi classificou a fala do prefeito como “equivocada” e sugeriu que a indignação de Abilio pode ser, na verdade, um desconhecimento do próprio território que administra.
Ao usar o problema crônico dos buracos nas vias de Cuiabá como argumento, Russi tocou em um ponto sensível da gestão municipal. Para ele, se o prefeito reclama que o hospital “foi embora”, é porque provavelmente não consegue chegar até a unidade devido às más condições das ruas.
“O Hospital Júlio Müller é um hospital de referência, apoiado pela Assembleia. Ele não é um hospital para Cuiabá, ele é um hospital para Mato Grosso. O SUS é porta aberta. Vai continuar atendendo Cuiabá, Várzea Grande e todos os municípios”, afirmou o presidente da ALMT.
Russi também lembrou que, sempre que a Prefeitura precisou da Assembleia, o Legislativo atendeu prontamente. Citou a ajuda na festa de passagem de ano e, recentemente, na organização do aniversário de Cuiabá.
“Existe um momento de pré-campanha, existe um momento de campanha, vai existir todo tipo de narrativa”, disse Russi, insinuando que as críticas de Abilio têm motivação eleitoral.
O projeto aprovado no ano passado corrigiu um erro cartográfico histórico que beneficiava Cuiabá em detrimento de Santo Antônio do Leverger. O Morro de Santo Antônio, por exemplo, sempre teve acesso geográfico por Leverger, mas pertencia legalmente à Capital.
Com a mudança, o Hospital Júlio Müller — que fica próximo à divisa — passou oficialmente para o território levergense. Na prática, nada muda no atendimento ou na estrutura física, mas politicamente a medida foi vista como um “desmembramento silencioso” pela gestão de Abilio.
Apesar da ironia, Max Russi afirmou que o projeto “continua da forma que está” e que não há movimento para alterar os novos limites. Já Abilio Brunini mantém a ameaça de usar o poder de polícia do município, suspendendo licenças e alvarás, para forçar uma reversão.
Enquanto os políticos trocam farpas, os moradores da região seguem enfrentando os buracos nas vias de acesso ao hospital — ironicamente, o mesmo problema apontado por Russi como justificativa para a suposta “ausência” do prefeito na região.