
O ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, adotou um tom moderado ao avaliar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que sinalizou um afastamento da atuação política direta nas próximas eleições.
Durante entrevista, Maggi afirmou que não vê o país em cenário de descontrole, como defendem setores mais críticos ao atual governo, e classificou a gestão federal de forma positiva dentro das limitações do cargo.
“Eu não acho que, diferente de muita gente, que o país está sem rumo. Tudo isso faz parte de conjunturas. Dentro do possível, está indo bem”, declarou.
A fala chama atenção por partir de um dos principais nomes do agronegócio brasileiro, segmento que, em sua maioria, mantém postura crítica em relação ao governo Lula. Apesar disso, Maggi adotou um discurso pragmático ao reconhecer os desafios da administração pública e relativizar cobranças por resultados mais amplos.
Na mesma entrevista, o ex-governador deixou claro que não pretende se envolver ativamente no processo eleitoral de 2026. Segundo ele, sua atuação política já cumpriu o papel necessário ao longo dos anos.
“Eu não vou fazer campanha, já passei da fase. Já assumi os riscos que precisava assumir, já defendi quem eu tinha que defender dentro dos arcos de aliança”, afirmou.
Maggi também destacou que, atualmente, sua posição exige cautela, sobretudo por manter relações com diferentes grupos políticos e econômicos.
“Sou empresário, tenho relações com todos os lados, então às vezes a minha preferência pessoal não vai contar muito nesse meio”, pontuou.
Mesmo sem se comprometer com apoio futuro à reeleição de Lula, o ex-governador reforçou que sua postura tende a ser de equilíbrio, evitando aprofundar a polarização política. Ele reconheceu, no entanto, que o cenário de divisão ideológica deve continuar presente no país.
“Eu não gosto da polarização, mas acho que não vai ser possível enfrentá-la. Vai acontecer, é quase natural hoje em dia”, disse.
A declaração de Maggi ocorre após ele ter desempenhado papel relevante no último pleito presidencial, quando apoiou Lula e participou da articulação que levou o senador Carlos Fávaro ao comando do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Agora, fora dos cargos eletivos, o ex-governador indica uma mudança de postura: mantém uma avaliação positiva do governo federal, mas opta por se posicionar de forma mais distante das disputas eleitorais, reforçando um perfil de interlocutor entre diferentes setores — especialmente entre o agronegócio e o Palácio do Planalto.