O delegado responsável pela investigação da morte de Raquel Cattani, ocorrida em julho de 2024, afirmou nesta quinta-feira (22), durante o Tribunal do Júri em Nova Mutum, que Romero Xavier Mengarde teria construído cuidadosamente um álibi para não estar na residência da vítima no momento da execução do crime. A declaração reforça a tese de homicídio premeditado, com execução realizada pelo ex-cunhado da produtora rural, Rodrigo Xavier Mengarde.

Raquel, de 26 anos, foi encontrada morta a facadas na própria residência, localizada no assentamento Pontal do Marape, zona rural de Nova Mutum. Rodrigo é acusado de execução do crime, enquanto Romero responde como autor intelectual, por não aceitar o fim do relacionamento.
Início do julgamento
O Tribunal do Júri teve início às 8h, no plenário do Fórum da Comarca de Nova Mutum, presidido pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, titular da 3ª Vara. O julgamento segue o Código de Processo Penal, com atuação do Ministério Público, das defesas e depoimentos de testemunhas. O Conselho de Sentença é formado por sete jurados, sendo dois homens e cinco mulheres.
Durante a abertura, a juíza orientou os jurados sobre a incomunicabilidade, o sigilo da votação e a necessidade de atenção integral às falas das partes, pedindo serenidade e imparcialidade, dada a sensibilidade do caso, que envolve vida e liberdade.
Dinâmica do crime e investigação
Em depoimento, o delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri detalhou a atuação das equipes policiais: enquanto Romero permanecia em Tapurah, Rodrigo ficou à espreita de Raquel dentro da residência, aguardando a chegada da vítima. Conforme confessado pelo réu, Raquel percebeu sua presença pelo cheiro estranho ao entrar no quarto, momento em que foi surpreendida e recebeu diversos golpes de faca.
A investigação indicou sinais de forjar um roubo: apenas o quarto da vítima foi revirado, enquanto bolsas e caixas permaneciam intactas, e uma televisão foi deixada fora da casa com marcas de bota. Marcas de sangue indicaram que o autor circulou descalço dentro da residência.
Segundo o delegado, Romero apresentou alibi detalhado e consistente, passando por três casas de prostituição e mantendo registros de deslocamento monitorados, o que afastou a hipótese de que ele estivesse presente na execução, reforçando a acusação de que atuou como autor intelectual.
A apuração contou com 155 entrevistas de moradores e trabalhadores da região e análise de provas técnicas e digitais, incluindo vestígios deixados no local, imagens de câmeras, rastreamento de celular e ERBs (torres de telefonia), que reconstruíram a dinâmica da presença de Rodrigo e sua fuga após o crime. Dados mostram que ele deixou o local em alta velocidade, usando camiseta rosa e tentando ocultar a placa da motocicleta, ações que corroboram a confissão.