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MAIO VERMELHO

Aposentado compartilha sua luta de superação contra o Câncer de Boca

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Em alusão à campanha do Maio Vermelho, que visa conscientizar sobre o câncer de boca, o Capital Notícia conversou com aposentado Ederson Domingo e o cirurgião bucomaxilofacial Everton Silva. Ederson compartilhou sua experiência no tratamento de diversos tipos de câncer, inclusive um carcinoma na boca, uma verdadeira história de superação. O médico ressaltou a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Ederson, de 66 anos, é aposentado, casado, tem dois filhos, três netos e mora em Cuiabá há 10 anos. Sua luta contra o câncer começou em 2019, quando, ainda motorista, foi diagnosticado com um carcinoma no maxilar inferior e, posteriormente, um tumor na bexiga. No ano seguinte, iniciou sessões de quimioterapia para tratar o câncer no aparelho urinário, classificado como grau três, devido à sua rápida progressão.

Em 2020, Ederson entrou na sala de cirurgia para realizar a remoção dos cânceres. Naquele momento, estava programada a remoção do carcinoma no maxilar, mas não foi necessário, pois o câncer na boca havia desaparecido. Assim, foi realizada apenas a retirada da bexiga, juntamente com a próstata, para prevenir uma possível proliferação do câncer. “Afeta o corpo inteiro, porque as rádios e as quimios deixam sequelas, afetam a alimentação. Eu tomei suplementação por muito tempo. Na cirurgia da bexiga tive que passar por traqueostomia e fazer hemodiálise”, contou.

O período pós-cirúrgico foi complicado. Após a operação, Ederson teve uma infecção e passou 29 dias em coma na UTI, seguidos por mais 30 dias internado. Meses depois, já recuperado, retornou ao médico e foi constatado que o carcinoma na boca havia retornado.

paciente Ederson

O próximo passo foi agendar a cirurgia para remover o tumor. No entanto, o procedimento foi adiado duas vezes á dentro da sala de ciúrgia, devido a sintomas gripais que ele apresentou no dia e na outra o médico estava com sintomas da covid-19, momento de maior auge da pandemia de COVID-19. Finalmente, cerca de 45 dias depois, a cirurgia foi realizada com sucesso. Ederson precisou de algumas sessões de quimioterapia e radioterapia devido ao atraso na remoção do tumor. Ele destacou a importância de ir ao médico e estar atento a qualquer mudança no corpo e na saúde.

“Mas o que afetou mais também depois, além disso, que essa da cirurgia da bexiga, quase que eu fui. Foi só por Deus mesmo pra eu conseguir recuperar. Mas a pior fase é do carcinoma da boca. Porque eu fiz mais quimioterapia e radioterapia. Os efeitos colaterais que ela traz. E o principal é sempre voltar ao médico nas revisões periódicas. Eu no meu entender, a oncologista fala pra voltar em três meses, na verdade era de três meses. A última vez agora falou que era pra voltar de seis meses, ou um ano, gente, só que eu nunca faço isso. Tanto que do pulmão direito, eu voltei para minha oncologista e ela me passou para outro oncologista”, lembrou o aposentado.

Em 2023, ele passou por outra remoção de nódulo, desta vez no pulmão esquerdo, além de alguns procedimentos para tratamento de câncer de pele. No próximo mês, em junho, uma nova intervenção será feita para retirar um nódulo encontrado no lado direito. Para Ederson, a persistência em continuar o tratamento e os cuidados com a saúde são fundamentais. Ele reforça que os cuidados devem ser tomados hoje para garantir um amanhã.

“Persistência em querer fazer as coisas e não deixar para depois. Se você tem que fazer hoje, faça hoje. Não deixe pra amanhã. Porque se você deixa pra amanhã, pode ser mais difícil”, concluiu Ederson.

O cirurgião bucomaxilofacial e coordenador da residência do HCan-MT, Everton Silva, esclareceu sobre o câncer de boca, tema da campanha trabalhada neste mês. Por se tratar de um dos dez tipos de câncer mais comuns no país, o especialista explicou que seus sintomas são fáceis de ser identificados por um cirurgião-dentista.

“Ele é um tipo de lesão que acomete a cavidade bucal, gengiva, lábios, a mucosa da bochecha, a língua, a região abaixo da língua, o soalho bucal e região também da garganta. É uma lesão de fácil diagnóstico. Os sintomas mais comuns são aftas ou úlceras que não cicatrizam, pequenas manchas avermelhadas ou esbranquiçadas”, explicou.

Os primeiros sintomas podem ser percebidos pelo próprio paciente durante a higienização bucal diária. Porém, para o diagnóstico, é preciso passar por um especialista e realizar uma biópsia.

“A melhor forma de prevenção para o câncer de boca é o autoexame, o autocuidado. O próprio paciente pode examinar a boca durante a escovação ou ao passar o fio dental. A confirmação do diagnóstico se dá através de uma biópsia, que é a remoção de uma parte da lesão. Confirmado isso, aí sim fecha-se o diagnóstico de câncer”, esclareceu o cirurgião.

Por fim, Everton lembrou dos fatores de risco, entre eles o uso de qualquer tipo de cigarro, e destacou a importância do diagnóstico precoce, que aumenta as chances de cura. “Os principais fatores de risco para o câncer bucal são o cigarro, em qualquer formato. Quanto mais cedo o câncer bucal é identificado, maiores são as chances de sucesso no tratamento e, consequentemente, de cura. Por isso, a importância do autoexame e das consultas de rotina”, concluiu.

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