Relatório aponta que 4,5 milhões de hectares do Pantanal foram destruídos pelo fogo em 2020

Documento diz que mais de 50% dos incêndios podem ter ligação com as atividades agropastoris.
Foto: Reprodução/Twitter

4,5 milhões de hectares. Essa é a estimativa da área devastada pelas queimadas no Pantanal entre 1° de janeiro e 30 de novembro de 2020, segundo o Relatório Técnico elaborado pelos setores de geoprocessamento do Ministério Público dos Estados de Mato Grosso do Sul (MPMS) e de Mato Grosso (MPMT).

O documento, divulgado pelo Ministério Público Federal (MPF), nessa segunda-feira (05/04), mostra que 21 municípios foram atingidos pelo fogo nos dois estados em que há o bioma. 2.058 propriedades foram impactadas, sendo que 32 foram prejudicadas por incêndios que vieram dos países vizinhos, além de 6 Unidades de Conservação e 6 terras indígenas.

O Relatório Técnico também aponta que 36,3% da área queimada configura-se como de formação campestre, 23,09% são campos alagados/áreas pantanosas e 25,54% é de formação florestal.

Todos esses incêndios teriam sido originados de 286 pontos, 152 deles em propriedades privadas registradas no CAR, 80 em áreas indígenas, 53 em áreas não identificadas e apenas um em Unidades de Conservação.

Foram isolados os focos iniciais de incêndios nestas propriedades traçando um raio de 200 metros de redes elétricas (2,43%), estradas públicas (0,97%), estradas particulares (16,99%) e margens de rios (21,84%), sendo que 57,77% dos focos iniciais ocorreram no interior destas, o que demonstra uma grande probabilidade de terem ligação com as atividades agropastoris.

Segundo a promotoria, esses dados são importantes para a definição das estratégias de trabalho de 2021 par frente, pois, sabendo que uma boa parte dos pontos de ignição ocorrem no interior de apenas algumas propriedades privadas, longe de rios, estradas, redes elétricas ou outras possíveis causas de ignição, cabe aos proprietários rurais no Pantanal adotar medidas necessárias para a prevenção destes incêndios, já que somente eles podem controlar o interior de seus imóveis.

 

Pantanal em alerta
Com o intuito de atuar preventivamente em relação aos incêndios em imóveis no Pantanal, o MPMS lançou o programa “Pantanal em Alerta”, que consiste na elaboração de um “mapa de risco” para as áreas com maior probabilidade de incêndios.

Com base nas áreas de maior risco de incêndios, serão cadastradas as propriedades rurais para que possam adotar as medidas preventivas necessárias, tais como redução da biomassa acumulada, aceiros, treinamentos de brigadas, dentre outros.

O MPF disse que atua nas investigações voltadas à identificação dos responsáveis pelos focos de ignição registrados em 2020. O órgão ministerial, tanto em Mato Grosso como em Mato Grosso do Sul, busca a alocação de recursos para a criação de brigadas permanentes, a fim de agilizar o combate aos focos antes do alastramento do fogo.

Em Cuiabá, o MPF empreendeu esforços para identificar a origem dos incêndios que atingiram áreas federais e para a melhor estruturação do Corpo de Bombeiros Militar. Além disso, manteve interlocução com os órgãos públicos responsáveis pelo combate ao fogo, buscando integrar a atuação. Ao constatar a demora do Governo Federal em autorizar a intervenção do Exército no auge da crise, expediu ofício ao Gabinete do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas para informarem acerca da liberação de recursos e emprego de pessoal no combate aos incêndios.

 

 

 

 

Leia também

Deixe seu comentário!