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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

“iPhone 17 é o aluguel do ano”: Vereadora critica prefeito por armar mulheres

A parlamentar rebateu a proposta do prefeito de Cuiabá, que comparou valor de arma a celular de luxo

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Enquanto o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (União Brasil), defende a ampliação do acesso a armas de fogo para mulheres vítimas de violência doméstica — chegando a afirmar que “uma arma custa menos que um iPhone 17” —, a vereadora Maysa Leão classifica a fala como um descolamento brutal da realidade da periferia e cobra ações concretas de acolhimento.

“Para ele, um iPhone 17 pode ser um commodity, algo que se compra na loja da esquina. Para uma mãe atípica, uma mãe solteira, arrimo de família que mora na periferia de Cuiabá, um iPhone 17 é o aluguel do ano.”

A declaração da vereadora é uma resposta direta à entrevista de Abilio na última sexta-feira (24), em que o prefeito minimizou os custos e os obstáculos para aquisição de arma de fogo. “Qualquer pessoa hoje pode fazer o curso, passar pelo psicotécnico. Não é algo fora da realidade”, disse o chefe do Executivo municipal.

Para Maysa Leão, a proposta de armar mulheres como resposta à violência doméstica representa um retrocesso civilizatório.

“Dizer para uma mulher: ‘quando ele vier te matar, mate você primeiro’ é estimular que a nossa sociedade viva numa barbárie de ‘não vou morrer, então vou matar’. Nós podemos acolher essa mulher, dar respaldo jurídico, fazer uma casa de transição, atendimento na Rede Sentinela.”

A vereadora lembra que, no primeiro ano da gestão Abilio, foram fechadas quatro unidades da Rede Sentinela de atendimento de urgência e emergência para mulheres vítimas de violência — serviço que Varzea Grande, cidade vizinha, se prepara para inaugurar agora.

Outro alvo da crítica foi a Casa da Mulher Brasileira, localizada no bairro Alvorada. Segundo Maysa, a obra está 70% concluída, mas sem previsão de entrega.

“Por que ele não faz os 30%, não entrega a casa da mulher brasileira, não inaugura a Rede Sentinela? O prefeito está preocupado em ensinar a mulher a atirar, mas se ela decide sair de casa hoje, o que ela vai encontrar? Uma obra parada.”

A vereadora Maysa Leão promete levar o debate à Câmara Municipal e cobrar um cronograma de conclusão das obras da Casa da Mulher Brasileira e da reabertura da Rede Sentinela.

“A mulher não precisa de uma arma. Ela precisa de um Estado que a proteja antes que o crime aconteça.”

 

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