Defesa de Cabo Gerson quer nova oitiva de cabo; Metástase pode ser anulada

Militar contou que operações do Gaeco foram deflagradas com realização de escutas ilegais.

em 19/07/2019

A defesa de um dos alvos da Operação Metástase, que investigou desvio de verbas na Assembleia Legislativa, requereu à Justiça um novo interrogatório do cabo Gerson Correa Júnior na ação penal sobre o caso.  

O pedido, que pode resultar até mesmo na anulação de toda a operação, ocorre em função do depoimento prestado pelo militar nesta semana, no qual ele confirmou a prática de grampos ilegais em operações realizadas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), entre as quais a Metástase. 

O advogado Valber Melo explicou que o cabo Gerson já foi ouvido anteriormente mas, naquela ocasião, negou a prática de barriga de aluguel nas operações.

“Além do depoimento, também foi requerido acesso à íntegra das interceptações telefônicas para que seja possível averiguar a cadeia de custódia das interceptações empregadas no processo em questão”, disse Melo.

Segundo ele, se constatadas as ilegalidades, as interceptações poderão ser anuladas, o que produzirá reflexos em toda a operação.

Melo faz a defesa do servidor T. N., um dos presos na operação, deflagrada em setembro de 2015.

A ação desbaratou uma suposta organização criminosa que teria desviado R$ 2 milhões de verba de suprimentos do Legislativo, entre os anos de 2011 e 2014.

Grampos ilegais e Riva

Gerson voltou a ser interrogado nesta semana pelo juízo da 11ª Vara Militar, na ação que trata dos grampos ilegais operados no Estado.

Segundo o militar – que atuou no Gaeco –, a Operação Metástase foi determinada pelos promotores Marco Aurélio de Castro e Samuel Frungilo.

“Em 2015, como primeiro ato, os promotores Frungilo e Marco Aurélio determinaram as inclusões de dados cadastrais de pessoas que seriam alvos daquela operação”, disse.

Dentre os alvos, conforme o cabo, estavam o ex-deputado José Riva, sua esposa Janete Riva, o filho, José Geraldo Riva Júnior, e as filhas Jessica Riva e Janaina Riva (hoje deputada estadual).

“Nessa ocasião foram repassados três telefones da deputada Janaina Riva. Todos inseridos por meio de barriga de aluguel. Encaminhamos os números ao doutor Marco Aurélio e, em data posterior, foi instaurada a portaria para investigar os fatos junto ao Gaeco”, afirmou ele.

Também de acordo com o cabo Gerson, a deputada Janaina Riva foi alvo de interceptação dentro do Gaeco em mais de uma ocasião.

“O objetivo era saber se os fatos perpetrados pelo pai dela continuavam. Até porque, os servidores que eram do gabinete do pai permaneceram com a deputada Janaina Riva. A interceptação da deputada objetivava deflagrar a Operação Metástase”, afirmou Gerson.

Midia News



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