O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, saiu em defesa da deputada estadual eleita por São Paulo Eduarda Campopiano (PL) após a repercussão da fala da parlamentar de que “feminicídio não existe”.
Questionado sobre a declaração, Abilio afirmou ter assistido ao vídeo e disse que houve um equívoco na interpretação. Segundo o prefeito, a deputada estaria fazendo uma distinção entre crime passional e crime motivado por gênero.
“Ela disse o seguinte: quando um homem idiota, babaca, canalha, um cara que tem que ser preso, vai lá e comete um homicídio contra uma mulher por razão de traição, adultério ou crime passional, a afirmação dela foi que o fato ocorreu por causa de ser um crime passional, não necessariamente porque a pessoa era uma mulher”, disse Abilio.
Para o prefeito, da mesma forma que uma mulher que mata um homem após flagrá-lo em traição o faz por ciúme e não por ele ser homem, o mesmo raciocínio valeria para o inverso. Abilio reforçou que o feminicídio existe, assim como homicídio motivado por gênero contra homens, mas defendeu que nem todo assassinato de mulher pode ser classificado automaticamente como feminicídio.
“Existe essa questão do homicídio por razão de gênero. Existe. Mas não existe, na afirmação dela, de forma coletiva como está acontecendo. Ela está separando o que é crime passional do que é feminicídio”, afirmou. O prefeito ainda citou casos envolvendo facções criminosas e o tráfico de drogas para defender uma melhor tipificação dos crimes.
“Se tudo for feminicídio, todo homicídio de mulheres por adultério, por qualquer coisa, então você tem que colocar aí as facções criminosas que matam as mulheres. A facção que vai lá e mata a mulher porque ela não fez a entrega da droga, é feminicídio também? Ou não é um crime do tráfico?”, questionou.
Para Abilio, colocar todos os casos no mesmo rol prejudica a identificação dos fatos e banaliza o termo. “A falta de uma boa identificação prejudica a boa penalização dos fatos”, concluiu.