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A vereadora Maysa Leão (Republicanos) avaliou que a eleição de Ilde Taques (Podemos) para a presidência da Câmara de Cuiabá representa uma nova forma de articulação política no Legislativo. A chapa “Lealdade e Compromisso” foi eleita nesta terça-feira (6), com 27 votos, para comandar a Casa no biênio 2027-2028.
Segundo Maysa, a construção da chapa ocorreu sem interferência do Executivo, apesar de vereadores mais experientes afirmarem que seria impossível formar uma Mesa Diretora sem o apoio da Prefeitura. Para ela, Ilde demonstrou que o diálogo e a articulação entre os parlamentares podem garantir uma gestão independente, mas sem romper a relação institucional com o prefeito.
“A vitória do Ilde de hoje consagra uma forma de fazer política que deve ser a forma correta. A gente conseguiu fazer uma Mesa Diretora sem interferência do Executivo. E eu ouvi de muitos líderes aqui, de muitos vereadores que têm 20 anos que estão na Câmara, seis mandatos seguidos, que é impossível fazer uma Mesa sem o apoio do Executivo. E o Ilde provou que, conversando, dialogando, construindo, foi possível fazer”, afirmou.
Maysa ressaltou, porém, que a independência defendida por Ilde não significa uma gestão de confronto com a Prefeitura.
“Isso não significa que ele terá uma gestão contra o prefeito, pelo contrário. Ele sempre deixou claro que vai ter uma gestão em prol da Câmara de Vereadores, mas da independência com a harmonia”, completou.
Segundo Maysa, a nova composição foi construída ao longo de cerca de seis meses. Ela também destacou que quatro das cinco mulheres que integravam a atual Mesa Diretora apoiaram Ilde por entenderem que era necessária uma alternância no comando do Legislativo.
“Nós quatro de cinco da Mesa Diretora estivemos com o Ilde porque acreditamos na importância dessa alternância de poder”, disse.
Maysa também avaliou a gestão da atual presidente, Paula Calil, e afirmou que, apesar de considerar a postura da vereadora educada e respeitosa, em alguns momentos ela poderia ter estabelecido limites maiores na relação com o Executivo.
“Eu penso só que ela deveria ter dito: ‘não é o momento agora, estou presidindo, estou no meio de uma sessão, vamos conversar à tarde’”, declarou.
Apesar das críticas, Maysa rejeitou a classificação de que Paula tenha sido “subserviente” ao Executivo e destacou avanços durante os dois anos de gestão, como mudanças na estrutura da Câmara e o cumprimento do regimento interno.
“Eu não posso finalizar a história de Paula Calil com a palavra subserviente”, afirmou. Segundo Maysa, Paula foi responsável por mudar a forma de trabalho na Câmara, especialmente em relação à pontualidade e às condições do ambiente de trabalho.
A vereadora também negou que a disputa pela Mesa Diretora tenha provocado um rompimento entre as mulheres que integram o Legislativo. Ela afirmou que divergências e debates fazem parte da atividade parlamentar e defendeu a alternância no comando da Casa.
Maysa também criticou o excesso de projetos importantes apresentados em regime de urgência durante o início do biênio da gestão do prefeito Abílio Brunini. Segundo ela, os vereadores precisam ter tempo para ler, analisar e debater as propostas antes das votações.
“O que sempre me incomodou muito nesse início de biênio da gestão Abílio Brunini foi a excessiva apresentação de projetos importantes com urgência. A gente precisa ter tempo e hábito de ler e debater”, afirmou.
A vereadora também rebateu a afirmação de que a Câmara não teria votado a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) por uma decisão conjunta da atual Mesa Diretora. Segundo Maysa, não houve orientação para que os integrantes votassem contra a proposta. Ela citou, inclusive, que vereadores que faziam parte da Mesa tiveram posições diferentes na votação.
“Não houve um combinado no nosso grupo de Mesa Diretora: ‘votem contra a LDO’. Vocês podem puxar os votos e vão ver que pessoas votaram diferente. Teve gente desta Mesa aprovada agora que votou a favor, teve gente que votou contra”, afirmou.
Maysa explicou que o voto contrário foi uma decisão individual, motivada pelo conteúdo da proposta. Segundo ela, a LDO não contemplava os planos de cargos, carreiras e salários dos profissionais da saúde e da educação, além de projetos que considerava importantes, como a implementação da Casa do Autista.
“Então, votei contra a LDO, votaria de novo.”, declarou.
Maysa ainda citou como prioridade a Comissão de Direitos Humanos, que pretende continuar presidindo, e afirmou que seguirá atuando de forma independente, mesmo após a definição da nova Mesa.
“Meu mandato é uma missão de vida e ele não é criado por números, ele é criado por ideais”, declarou.